Um quero-quero, ave conhecida por defender seus filhotes com agressividade, teve uma reação inesperada a um dentista no RS. Saiba o que explica o vídeo.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 25 de junho de 2026. Um vídeo de um quero-quero reagindo de forma inesperadamente calma à aproximação de um dentista no Rio Grande do Sul viralizou nas redes sociais. As imagens, gravadas pelo cirurgião-dentista Ricardo Lopes em Xangri-lá, mostram a ave, conhecida por sua agressividade na defesa de filhotes, tranquila mesmo com um filhote por perto, como reportado pela CNN Brasil.
O comportamento surpreendente, que foge ao padrão defensivo da espécie, tem uma explicação provável: o fenômeno da habituação, onde o animal se acostuma a uma presença constante que não representa ameaça.
O encontro inusitado não foi um acaso. Ricardo Lopes tem o hábito de observar as aves no Condomínio Las Palmas, onde vive, todas as manhãs por volta das 7h30, antes de ir para o trabalho. Segundo relatos, com o tempo, essa presença constante e pacífica permitiu que ele se aproximasse de uma família de quero-queros sem provocar a reação defensiva típica da espécie.
Em suas redes sociais, Lopes compartilhou os registros, que mostram a ave adulta e seu filhote sem sinais de agressividade. A cena chamou a atenção justamente porque os quero-queros são famosos por protegerem seu território com voos rasantes e gritos de alerta, como detalhado pelo portal GZH.
O quero-quero (Vanellus chilensis), ave-símbolo do Rio Grande do Sul, é conhecido como "Sentinela dos Pampas". Esse comportamento territorialista se intensifica durante o período reprodutivo, que ocorre entre setembro e março. A principal razão para a agressividade é a forma como nidificam.
Diferente de muitas aves, os quero-queros fazem seus ninhos em pequenas depressões no solo, em áreas abertas, o que deixa ovos e filhotes vulneráveis. Para protegê-los, os pais vigiam o território e reagem a qualquer aproximação que considerem uma ameaça, seja de outros animais ou de humanos. De acordo com o G1, eles não hesitam em realizar voos rasantes e usar os esporões que possuem nas asas para intimidar invasores.
A tranquilidade da ave diante de Ricardo Lopes é provavelmente um caso de habituação. Este é um processo em que um animal, após exposição repetida a um estímulo (neste caso, a presença do dentista) que não resulta em consequências negativas, passa a reagir menos ou a ignorá-lo. As aves podem ter aprendido que a presença diária de Lopes não representava um perigo para seu ninho ou filhote.
Sim. Conhecido como "Sentinela dos Pampas", o quero-quero é a ave-símbolo do estado e uma figura presente na cultura gaúcha, associada à proteção e vigilância, segundo uma lenda indígena citada pelo G1.
A agressividade do quero-quero é um comportamento de defesa, não um traço geral. Ele se manifesta principalmente durante o período reprodutivo para proteger ninhos e filhotes de potenciais predadores. Fora dessa época, seu comportamento é mais tranquilo.
A recomendação de especialistas, conforme publicado pelo GZH, é manter uma distância de aproximadamente 40 metros. Se a ave começar a emitir gritos de alerta ou a realizar voos rasantes, afaste-se calmamente do local. Não se deve tocar nos ninhos, ovos ou filhotes.
A interação entre o dentista Ricardo Lopes e a família de quero-queros no litoral gaúcho é um exemplo notável de como a observação respeitosa pode alterar a dinâmica entre humanos e a vida selvagem. Embora a habituação explique a reação pacífica da ave, o caso serve como um lembrete de que o comportamento padrão do quero-quero é de defesa, e a recomendação geral de manter distância para não perturbar os animais continua sendo a prática mais segura.
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