Descubra como a caldeira de um vulcão extinto há 80 milhões de anos transformou Poços de Caldas, no interior de MG, em um destino de águas termais e minerais raros.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cidade de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, está localizada dentro de uma gigantesca caldeira vulcânica com cerca de 30 a 35 quilômetros de diâmetro, formada há aproximadamente 80 milhões de anos. Este passado geológico, resultado de uma intensa atividade magmática, é a origem de suas famosas águas termais medicinais e de raras concentrações de minerais. Atualizado em 6 de novembro de 2026.
Há cerca de 80 milhões de anos, uma intensa movimentação de rochas e magma do subsolo elevou a região a mais de 500 metros de altitude, segundo registros geológicos. Com o tempo, o centro dessa estrutura sofreu um colapso, formando o que os especialistas chamam de "caldeira", uma vasta depressão circular cercada por montanhas, que hoje abriga a cidade. De acordo com o geólogo Hélio Scalvi, o conceito de que caldeiras seriam bocas de grandes vulcões foi superado, definindo a área como uma região de origem vulcânica complexa.
Dentro deste planalto, conhecido como Complexo Alcalino de Poços de Caldas, foram identificadas 13 estruturas circulares menores, indicando a presença de pequenos vulcões que existiram após a estabilização da área, há cerca de 60 milhões de anos. A ausência de lava a centenas de quilômetros ao redor das montanhas reforça a tese de que não se tratava de um único supervulcão.
A principal herança dessa formação geológica são as águas termais e sulfurosas. O calor remanescente nas profundezas aquece a água que circula por fraturas nas rochas, fazendo-a brotar na superfície com temperaturas que podem chegar a 45 °C. Ricas em enxofre, potássio e magnésio, essas águas possuem propriedades terapêuticas, como ação anti-inflamatória e vasodilatadora, que atraem visitantes em busca de saúde e bem-estar desde o século XIX.
Além das águas, a região concentra importantes depósitos minerais, incluindo bauxita, urânio e terras raras, tornando o Complexo Alcalino de Poços de Caldas um dos mais notáveis do mundo, segundo especialistas.
A fama das águas curativas de Poços de Caldas atraiu figuras notáveis da história do Brasil. Em 1886, o imperador Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina visitaram a cidade para a inauguração de um ramal da Estrada de Ferro Mogiana, que facilitou o acesso ao local. Nas décadas seguintes, a cidade se consolidou como um destino de elite, com a construção de hotéis, balneários e cassinos.
Entre os visitantes ilustres estavam os presidentes Getúlio Vargas, que tinha uma suíte especial no Palace Hotel, e Juscelino Kubitschek, além de artistas como Carmen Miranda e Orlando Silva. Hoje, construções como o Palace Hotel e as Thermas Antônio Carlos preservam a memória desse período áureo, combinando patrimônio histórico com atrações naturais.
Sim, a cidade está situada em uma caldeira vulcânica, que é uma depressão formada pelo colapso de um antigo vulcão. As montanhas que cercam a cidade são, na verdade, as bordas dessa estrutura de 30 a 35 km de diâmetro.
Não. Segundo o geólogo Stefano Zincone, a caldeira está completamente extinta há milhões de anos e não há qualquer possibilidade de voltar à atividade. A região se estabilizou geologicamente há cerca de 60 milhões de anos.
As águas são sulfurosas, ricas em minerais como enxofre, potássio e magnésio. Elas brotam com temperaturas entre 38 °C e 45 °C e são conhecidas por suas propriedades terapêuticas, incluindo ação anti-inflamatória, vasodilatadora e desintoxicante.
A história de Poços de Caldas é uma prova de como as forças da natureza podem moldar paisagens e destinos. A gigante caldeira vulcânica, extinta há milhões de anos, não apenas criou um relevo único, mas também presenteou a região com águas medicinais e riquezas minerais que foram a base para seu desenvolvimento como um dos principais destinos turísticos e de bem-estar do Brasil.
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