Um investidor teve prejuízo de R$ 25 mil em um único pregão ao tentar recuperar perdas. Entenda como o descontrole emocional levou ao 'dia de fúria' no day trade.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um trader perdeu R$ 25 mil em um único dia após realizar 85 operações na bolsa de valores, em um episódio que expõe os riscos do descontrole emocional no day trade. Atualizado em 8 de novembro de 2026. O caso, relatado pelo investidor Fábio F. ao InfoMoney, ocorreu após uma série de decisões impulsivas para tentar recuperar prejuízos anteriores.
A sequência de perdas começou com uma perigosa autoconfiança. Conforme relatado por Fábio, ele já havia conseguido reverter prejuízos expressivos em outras ocasiões, como um saldo negativo de R$ 17 mil que foi recuperado no mesmo dia. Essas experiências criaram a falsa impressão de que bastava aumentar a exposição ao risco para reverter qualquer perda, segundo o InfoMoney.
No dia do prejuízo de R$ 25 mil, ao se deparar com um resultado negativo, ele repetiu a estratégia: depositou mais dinheiro na corretora e aumentou sua posição, chegando a operar com 50 a 100 contratos. Nesse processo, a análise técnica foi abandonada. "Você esquece o operacional, esquece a análise, esquece tudo. É o famoso dia de fúria", descreveu Fábio.
O trader reconheceu que a perda não foi causada por volatilidade inesperada do mercado, mas por "erro operacional" agravado pela incapacidade de parar de negociar. A disciplina foi substituída por reações impulsivas às cores dos gráficos: comprava no verde e vendia no vermelho, sem critério, conforme apurou o portal SpaceMoney.
Após o episódio, Fábio decidiu buscar ajuda profissional. Ele procurou uma mentoria com Robert Machado, analista CNPI-T da Clear Corretora, para simplificar sua estratégia. Além disso, uma conversa com a psicanalista Marci Delgado durante o evento Casa Clear 2026 reforçou a necessidade de focar no controle emocional.
Com a nova abordagem, Fábio passou a focar sua análise na ferramenta de Fibonacci e, crucialmente, a operar com menos contratos. Ele também adotou a prática de criar um checklist antes de iniciar o pregão, definindo critérios claros para suas decisões, uma recomendação da psicanalista.
"Dei uns 10, 15 passos para trás e hoje, com muito menos contratos, faço um valor muito maior do que antes, quando operava com uma quantidade enorme de contratos", afirmou o trader ao InfoMoney.
O caso de Fábio não é isolado e ilustra um risco documentado. Um estudo realizado por professores da Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado pela EESP-FGV revelou que a grande maioria dos investidores pessoa física não obtém sucesso no day trade. Segundo a pesquisa, das pessoas que persistiram por mais de 300 pregões, 91% tiveram prejuízo.
Os dados da FGV também indicam que o desempenho não melhora com a experiência, contrariando a ideia de que a persistência por si só leva ao lucro. Isso reforça a importância de uma estratégia sólida, gestão de risco rigorosa e, principalmente, equilíbrio psicológico.
O principal fator foi a tentativa de recuperar perdas anteriores, o que o levou a aumentar a exposição ao risco e operar de forma impulsiva, ignorando sua estratégia. Ele realizou 85 operações em um estado que descreveu como "dia de fúria", onde a emoção superou a análise técnica.
Sim. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que 91% dos traders que persistem na atividade por mais de 300 pregões têm prejuízo, destacando o alto risco da modalidade e a dificuldade de obter ganhos consistentes.
O controle emocional é fundamental. A falta dele pode levar a decisões impulsivas, como tentar recuperar perdas a qualquer custo (conhecido como "revenge trading"), abandonar a estratégia e aumentar o risco, resultando em prejuízos significativos, como no caso relatado.
A experiência de Fábio F. serve como um alerta sobre os perigos psicológicos do day trade. A história demonstra que a busca por recuperar perdas pode rapidamente levar a um ciclo de decisões impulsivas e prejuízos ainda maiores. A lição central é a de que disciplina, gestão de risco e controle emocional são mais importantes para a consistência do que a busca por ganhos rápidos e a operação com grandes volumes.
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