Sem treinamento, cadela da raça mais inteligente do mundo desenvolveu um latido especial para reunir aves do vizinho na hora da refeição. Entenda o caso.
Olyvio Marques
Editor · Pets · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 5 de julho de 2026. Uma cadela da raça Border Collie, chamada Lessie, aprendeu sozinha a chamar as galinhas do vizinho para a hora da refeição em Caçador, Santa Catarina. Sem qualquer tipo de treinamento, a cachorra desenvolveu um latido específico para reunir as aves, um comportamento que surgiu apenas da observação da rotina de sua família, conforme relatado por seu tutor, André Leonardo.
O hábito começou de forma espontânea quando Lessie tinha apenas um ano de idade. A família de André costumava alimentar as galinhas do vizinho com as sobras do almoço. A cadela passou a observar o processo diariamente e associou a rotina ao momento da alimentação. "No começo, quando não sobrava comida, ela ia para a frente da casa e latia. A gente achava que era porque tinha alguma pessoa chegando. Até que um dia saí para olhar e vi as galinhas vindo", explicou André em entrevista ao Canal do Pet.
Lessie desenvolveu uma comunicação própria para a tarefa. Segundo seu tutor, o latido para as galinhas é muito mais rápido, "um atrás do outro", enquanto o latido para alertar sobre pessoas é mais lento e com pausas. As aves, incluindo os pintinhos, aprenderam a associar o chamado rápido à comida.
O comportamento de Lessie não é um caso isolado de inteligência na raça. O Border Collie é considerado o cão mais inteligente do mundo, uma característica moldada por séculos de seleção para o trabalho de pastoreio, que exige foco, controle de impulsos e tomada de decisões rápidas. De acordo com estudos, cães de pastoreio tendem a ter uma estrutura cerebral que favorece a capacidade de aprendizado e memorização. Um exemplo notável é o de uma Border Collie chamada Chaser, que aprendeu os nomes de 1.022 objetos, demonstrando uma memória e capacidade de associação extraordinárias.
A inteligência aguçada do Border Collie exige um ambiente rico em estímulos físicos e mentais. André Leonardo ressalta que a falta de atividades pode levar a problemas de comportamento, como ansiedade e destruição de objetos. "O segredo para criar um Border Collie é tempo e dedicação. Tem que passear, correr, brincar e estimular a inteligência deles", afirma o tutor. Para Lessie, a rotina inclui caminhadas, exercícios em esteira e brincadeiras que desafiam seu raciocínio.
A inteligência do Border Collie é resultado de uma combinação de fatores genéticos e históricos. Criados para o pastoreio, eles foram selecionados por sua capacidade de tomar decisões rápidas e aprender comandos complexos. Estudos indicam que possuem uma estrutura cerebral que favorece a memorização e a resolução de problemas.
Embora espaço seja bem-vindo, o mais importante para um Border Collie é a disponibilidade de tempo e dedicação de seus tutores para atividades físicas e mentais. Conforme o tutor de Lessie, um terreno grande sem estímulos não é suficiente para satisfazer as necessidades da raça.
É um comportamento inato que leva o cão a tentar organizar ou agrupar pessoas, outros animais ou até objetos em movimento. Esse instinto é uma herança de sua função original de pastorear rebanhos e se manifesta mesmo em ambientes domésticos.
A história de Lessie e as galinhas ilustra de forma prática a impressionante capacidade de aprendizado e adaptação do Border Collie. O caso reforça que, com o ambiente e os estímulos corretos, esses cães podem desenvolver habilidades surpreendentes, canalizando seu instinto de trabalho e sua inteligência para as mais diversas tarefas do cotidiano.
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