Com 130 anos, árvore icônica de São Paulo sofre com avanço urbano e recebe tratamento intensivo para garantir seu futuro; custo de manutenção chega a R$ 1 milhão por ano.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A icônica figueira de 130 anos que se tornou o coração do restaurante A Figueira Rubaiyat, em São Paulo, enfrenta uma dura batalha por sua sobrevivência. Apenas 50% de sua composição está saudável, resultado de décadas de avanço urbano que sufocou suas raízes e comprometeu sua estrutura.
Tombada como Patrimônio Ambiental do Estado desde 1989, a árvore da espécie Ficus benghalensis, originária da Índia, apresenta um quadro de saúde delicado. Laudos técnicos apontam a existência de "pontos de necrose e apodrecimento nos troncos principais, desprendimento da casca e sinais de colonização de insetos como brocas e cupins", o que enfraquece a madeira e gera risco de queda.
Especialistas apontam que o crescimento acelerado de São Paulo é o principal fator do declínio. A figueira perdeu espaço para tubulações de água e esgoto, e suas raízes, que já foram encontradas a 50 metros de distância do restaurante, foram cortadas por obras na região. Segundo o biólogo Gregório Ceccantini, da USP, a impermeabilização do solo e o corte de raízes para fundações de novos imóveis tornam as árvores mais suscetíveis a pragas e doenças.
A família Iglesias, proprietária do grupo Rubaiyat, investe entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão por ano na preservação da árvore. O biólogo Ítalo Mazzarella, responsável pelos cuidados, supervisiona a figueira ao menos duas vezes por semana. O tratamento inclui a higienização dos troncos, adubação rigorosa, escoramento de galhos com cabos de aço e o uso de um aparelho, o sismotron, que simula microtremores para afastar cupins. A principal aposta para sua longevidade é a indução de novas raízes aéreas, ou "bengalas", para que cheguem ao solo e fortaleçam a estrutura.
Plantada na década de 1890, quando a região dos Jardins era dominada por chácaras, a figueira testemunhou a transformação da cidade. Antes de ser o centro do restaurante inaugurado em 2001, ela sombreava o estacionamento de uma loja. Sob sua copa, que já teve quase 50 metros de diâmetro, passaram personalidades como Bill Clinton, o rei Felipe VI da Espanha e a cantora Mariah Carey. A árvore chegou a aparecer em um episódio da série "Os Simpsons" em 2014.
Monitoramento em áreas de Mata Atlântica também revela rica biodiversidade; mais de 200 animais silvestres foram resgatados na região desde 2025.
Pesquisa da Universidade de Washington mostra como o ciclo de nutrientes que sustenta o fitoplâncton foi quebrado pela caça e sua recuperação pode ajudar a capturar carbono.
Iniciativas nos estados do Texas e da Louisiana reaproveitam pinheiros para formar dunas e restaurar pântanos, reduzindo o impacto de tempestades e furacões.
Fenômeno geotérmico no Peru não é causado pelo sol; águas podem provocar queimaduras de terceiro grau em segundos e cozinhar animais vivos.