Felino macho, batizado de Tape'ỹ, foi resgatado em Foz do Iguaçu, passou por avaliação veterinária e agora é monitorado por GPS no Parque Nacional do Iguaçu.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A onça-pintada macho encontrada escondida sob um varal de roupas em Foz do Iguaçu (PR), no final de junho, foi devolvida com sucesso à natureza. Atualizado em 4 de agosto de 2026, a soltura ocorreu no Parque Nacional do Iguaçu após o animal passar por um período de avaliação e tratamento veterinário.
O felino, um macho adulto de aproximadamente 75 quilos, foi localizado no quintal de uma residência no bairro Jardim Cedro, na região de Três Lagoas, na manhã de um domingo (28 de junho), conforme relatado por moradores. A aparição, considerada extremamente incomum, mobilizou uma operação conjunta entre a Polícia Militar Ambiental, o Projeto Onças do Iguaçu e o Refúgio Biológico Bela Vista (Itaipu), que isolaram a área para garantir a segurança da população e do animal.
De acordo com as equipes de resgate, um médico-veterinário utilizou um dardo tranquilizante para sedar o felino, permitindo sua captura segura. O animal apresentava apenas ferimentos leves e foi imediatamente encaminhado para cuidados especializados.
Após o resgate, a onça-pintada foi levada ao Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional, onde passou por exames clínicos e laboratoriais. Durante o período de observação, a equipe confirmou que o animal estava em boas condições de saúde, alimentou-se normalmente e manteve um comportamento silvestre, demonstrando plena capacidade de retornar ao seu habitat natural.
O felino foi batizado de Tape'ỹ, uma palavra de origem tupi que significa "aquele que perdeu o caminho", em alusão à sua trajetória incomum até a área urbana. Segundo o Projeto Onças do Iguaçu, não havia registros confirmados de onças-pintadas na região do Lago de Itaipu há mais de 20 anos.
A soltura de Tape'ỹ no Parque Nacional do Iguaçu foi realizada no dia 3 de agosto. Antes de ser libertado, o animal recebeu um colar de monitoramento por GPS. O equipamento permitirá que pesquisadores acompanhem seus deslocamentos e verifiquem sua adaptação à vida livre, fornecendo dados cruciais para futuras estratégias de conservação da espécie na região.
Rogério Cunha de Paula, chefe do CENAP/ICMBio, afirmou que o retorno do animal à natureza representa o "encerramento bem-sucedido de uma operação que começou em uma situação bastante delicada". Especialistas também ressaltaram que o episódio reforça a necessidade de proteger e recuperar corredores de biodiversidade que conectam o parque a outras áreas de mata.
Ainda não é possível determinar com certeza de onde Tape'ỹ veio ou o que o levou a uma área urbana. Especialistas acreditam que o animal saiu da mata, se desorientou e acabou entrando na cidade, um evento considerado extremamente raro, visto que não havia avistamentos confirmados na região há mais de duas décadas.
Tape'ỹ é uma expressão de origem tupi que significa "aquele que perdeu o caminho". O nome foi escolhido em referência à jornada incomum do animal, que o levou a uma área residencial longe de seu habitat natural.
Especialistas orientam que, ao avistar um animal como uma onça, a pessoa não deve correr nem se aproximar. A recomendação é recuar lentamente, não fazer contato visual direto e acionar imediatamente os órgãos ambientais responsáveis. É fundamental não jogar objetos ou tentar atrair o felino com comida.
O resgate e a soltura bem-sucedida da onça-pintada Tape'ỹ representam uma vitória para a conservação da fauna no Paraná. A operação, que envolveu diversas instituições, destaca a importância da colaboração e do monitoramento de espécies ameaçadas para garantir sua sobrevivência e reduzir conflitos com populações humanas.
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