A araracanga, ou arara-vermelha, deixa filhotes mais novos morrerem de fome. Entenda por que esse comportamento ocorre e conheça a missão de cientistas.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Cientistas na Amazônia peruana estão resgatando filhotes de araracanga (Ara macao) de seus próprios pais, que os deixam morrer de fome intencionalmente. Atualizado em 20 de setembro de 2026, um projeto inovador recruta casais de araras selvagens como "pais adotivos" para salvar os filhotes mais jovens e vulneráveis, uma estratégia que pode ser crucial para a sobrevivência da espécie em áreas ameaçadas.
As araracangas, também conhecidas como araras-vermelhas-pequenas, não matam seus filhotes por agressão, mas por negligência seletiva. Segundo a cientista peruana Gabriela Vigo-Trauco, que estuda essas aves há mais de duas décadas, os pais abandonam os filhotes mais jovens, geralmente o terceiro e o quarto da ninhada, deixando-os morrer de fome. Este comportamento foi revelado por câmeras instaladas em ninhos pela The Macaw Society em 2007.
A principal razão para o abandono é a dificuldade de cuidar de filhotes em diferentes estágios de desenvolvimento. Uma diferença de poucos dias entre o nascimento pode exigir regimes alimentares e temperaturas de ninho muito distintas. Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, os pais são forçados a escolher e priorizam os mais velhos para garantir que ao menos alguns sobrevivam.
Para contornar essa perda, que é desastrosa para populações em declínio, a equipe de Vigo-Trauco iniciou em 2017 um projeto de adoção. A técnica consiste em retirar os filhotes condenados do ninho, alimentá-los manualmente por um período e, em seguida, introduzi-los em ninhos de outros casais que tenham apenas um filhote de idade similar.
Apesar do sucesso, a adoção selvagem enfrenta desafios, como o alto custo e a complexa logística de encontrar ninhos compatíveis no momento exato. De acordo com o Correio Braziliense, alternativas incluem a criação em cativeiro ou a instalação de ninhos artificiais, como feito na Costa Rica. Atualmente, Vigo-Trauco testa uma versão aprimorada e mais barata da técnica: mover os filhotes recém-nascidos diretamente de um ninho para outro, sem a fase de criação manual.
A araracanga (Ara macao) é uma espécie de arara, também chamada de arara-vermelha-pequena, encontrada em florestas tropicais desde o sul do México até o norte do Brasil. Conforme a Wikipedia, é uma ave gregária, conhecida por sua plumagem vibrante e bico forte, e desempenha um papel importante na dispersão de sementes.
Globalmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica a espécie como "pouco preocupante". No entanto, suas populações estão em declínio devido à destruição de habitat e à caça ilegal para o tráfico de animais. Em algumas regiões, como na América Central, uma de suas subespécies já está perto da extinção.
O abandono de filhotes pela araracanga, uma antiga estratégia de sobrevivência, tornou-se um obstáculo para a recuperação da espécie. A inovadora técnica de adoção por pais selvagens, liderada por cientistas no Peru, oferece uma nova esperança e uma ferramenta valiosa para projetos de conservação em toda a América Latina, mostrando que é possível intervir positivamente para garantir o futuro dessas aves icônicas.
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