Agricultor goiano investiu cerca de R$ 45 mil por hectare em pitaya e hoje colhe os frutos de um mercado em alta. Saiba como ele transformou o cultivo em um negócio lucrativo e conheça outras frutas promissoras.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 4 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Investir em frutas exóticas pode transformar uma pequena propriedade em um negócio de alta rentabilidade. A prova disso vem de Vianópolis (GO), onde o agricultor José Carlos Gomes apostou na pitaya, uma fruta então pouco conhecida, e hoje celebra um mercado com demanda crescente e faturamento que pode chegar a R$ 240 mil por hectare. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O caso de Gomes ilustra uma tendência no agronegócio brasileiro: a diversificação com espécies nativas e exóticas que, apesar de exigirem um investimento inicial e paciência, encontram um público ávido por novidades, saúde e sabores diferentes. Segundo a Embrapa, o cultivo de frutas exóticas cresceu 20% nos últimos cinco anos, impulsionado por consumidores e pela alta gastronomia.
A jornada de José Carlos Gomes com a pitaya começou em 2015, movida pela curiosidade com a cor intensa da fruta. Na época, a informação era escassa. "Nem no Google se achava algo sobre pitaya", contou o produtor em reportagem à Globo Rural. Após três anos de pesquisa, ele iniciou o plantio com 82 mudas.
O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 45 mil por hectare. Hoje, a propriedade conta com 51 mil pés em produção, com planos de dobrar esse número. A produtividade alcançou 40 toneladas por hectare, e com um preço de venda médio de R$ 8 por quilo, o rendimento bruto pode chegar a R$ 240 mil por hectare. O sucesso foi tanto que Gomes fechou um contrato de exclusividade com a maior distribuidora de frutas do Centro-Oeste, segundo a Globo Rural.
O mercado de frutas exóticas está em plena expansão no Brasil, que já é o terceiro maior produtor mundial. De acordo com dados da CEAGESP de 2024, essas frutas representaram 1,2% do volume comercializado, mas geraram 3,5% do faturamento total, evidenciando seu alto valor agregado. Os principais motivos para o boom são:
Além da pitaya, outros cultivos se mostram promissores para agricultores que desejam diversificar. Conforme publicações do setor, algumas das apostas mais rentáveis incluem:
Originária da Bolívia, esta fruta agridoce tem se adaptado bem ao clima brasileiro. Produtores no Espírito Santo já comercializam o quilo por cerca de R$ 15. A árvore começa a produzir entre quatro e cinco anos após o plantio, com um rendimento de aproximadamente 20 quilos por planta.
Híbrido da cherimoia com a fruta-do-conde, a atemoia é doce e cremosa. O engenheiro agrônomo Sergio Iwao Sakomura, que cultiva a fruta em São Paulo há mais de 15 anos, relata que cada pé produz cerca de 40 kg, com um preço médio de R$ 3 por fruto, conforme a revista Dinheiro Rural.
Já mais popular, a lichia continua sendo um negócio lucrativo. Uma fazenda em Minas Gerais, que começou com um único pé em 2008, hoje tem uma produção média de 200 toneladas, abastecendo o mercado nacional e iniciando exportações para a Europa.
O valor varia muito conforme a cultura. Para a pitaya, o investimento inicial relatado é de cerca de R$ 45 mil por hectare. O custo inclui mudas, preparo do solo, sistema de irrigação e tutores para as plantas.
O retorno depende da espécie. A pitaya pode começar a produzir entre 12 e 18 meses. Já o achachairu leva de quatro a cinco anos para a primeira colheita significativa. É um investimento de médio a longo prazo.
Os principais obstáculos incluem a logística para frutas sensíveis, a necessidade de educar o consumidor sobre sabores e usos, e a produção ainda em pequena escala, que pode dificultar o acesso a grandes mercados. Além disso, é crucial ter atenção a variedades protegidas por patentes para evitar problemas legais, como o caso de um agricultor espanhol multado em mais de R$ 1 milhão por cultivar uma nectarina patenteada.
A aposta em frutas exóticas, como a pitaya, representa uma oportunidade valiosa para agricultores que buscam diversificar e aumentar sua rentabilidade. O caso de José Carlos Gomes em Goiás demonstra que, com pesquisa, investimento e paciência, é possível desbravar um nicho de mercado promissor, atendendo a uma demanda crescente por produtos inovadores e saudáveis.
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