Deputada que fez campanha com tornozeleira eletrônica é suspeita de liderar esquema de R$ 11 milhões. Entenda as acusações de organização criminosa e fraude.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) foi indiciada pela Polícia Federal (PF) junto com outras 28 pessoas por suspeita de participação em um esquema de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Atualizado em 12 de outubro de 2026, o indiciamento aponta os crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário qualificado e lavagem de dinheiro, segundo relatório da Operação Sem Desconto.
De acordo com o relatório final da PF, Gorete Pereira é suspeita de atuar como a principal articuladora política da fraude. A investigação aponta que a deputada teria usado sua influência no alto escalão do INSS para viabilizar e proteger Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com associações fraudulentas que realizavam descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. As autoridades afirmam que empresas de fachada em nome de familiares e prepostos da parlamentar teriam recebido pelo menos R$ 11 milhões do esquema.
Um fato que marcou a trajetória recente da deputada foi sua campanha à reeleição em 2026, realizada enquanto usava uma tornozeleira eletrônica. A medida foi imposta em março pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a PF e o Ministério Público Federal pedirem sua prisão. Embora o pedido de prisão tenha sido negado, Mendonça determinou o monitoramento eletrônico. A defesa chegou a solicitar a retirada do dispositivo durante a campanha, mas o pedido foi negado. Gorete Pereira obteve 3.615 votos e não foi eleita, ficando na suplência.
Além da deputada, a investigação da PF indiciou outras 28 pessoas. Entre elas estão a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de duas associações de aposentados, e Eric Fidelis, filho de um ex-diretor de Benefícios do INSS, André Paulo Félix Fidelis. Segundo a PF, o escritório de Eric teria recebido R$ 2,4 milhões em 2024 como parte do esquema. Seu pai também foi indiciado por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Procurado pela imprensa, o advogado de Gorete Pereira, Waldir Xavier, afirmou que a deputada ainda não foi oficialmente notificada sobre o indiciamento e, por isso, não pode se manifestar sobre a natureza das acusações. A defesa declarou ter confiança na apuração dos fatos e "certeza de que a conduta por ela adotada foi pautada na licitude de seus atos".
Gorete Pereira foi indiciada pela Polícia Federal sob suspeita dos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário qualificado e lavagem de dinheiro.
É uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema nacional de descontos indevidos e não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS, realizados por meio de associações.
Não. Em março de 2026, a PF e o MPF solicitaram sua prisão preventiva, mas o pedido foi negado pelo ministro André Mendonça (STF), que impôs medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e limitação de deslocamento.
O indiciamento de Gorete Pereira e outros 28 suspeitos representa um avanço significativo na Operação Sem Desconto. O caso agora segue para análise do Ministério Público Federal, que decidirá se apresenta denúncia formal à Justiça. Enquanto isso, a defesa da parlamentar aguarda a notificação oficial para apresentar seus argumentos no processo.
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