Preso por elo com milícia na Bahia, tenente-coronel apresentou notas de 2025 para justificar pagamentos recebidos desde 2021, aponta o Ministério Público.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia, Luiz Augusto Normanha de Carvalho, preso por suspeita de receber R$ 286 mil de uma milícia, alegou que o dinheiro era pagamento por serviços de brigadas de incêndio. A informação, divulgada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), foi confrontada pelos investigadores, que apontam uma inconsistência crucial: os pagamentos ocorreram entre 2021 e 2025, mas as notas fiscais apresentadas só foram emitidas a partir de julho de 2025. Atualizado em 2 de novembro de 2026.
A defesa do tenente-coronel apresentou notas fiscais eletrônicas para comprovar a prestação de serviços de combate a incêndios, justificando os R$ 286 mil recebidos de Carlos Erlani Gonçalves Santos, sargento da reserva apontado como líder da milícia. No entanto, segundo a denúncia do MP-BA, a documentação não cobre o período dos repasses financeiros investigados.
De acordo com o MP, os pagamentos ao oficial ocorreram entre setembro de 2021 e abril de 2025. As notas, por outro lado, foram emitidas apenas a partir de julho de 2025, abrangendo, no máximo, serviços que teriam sido prestados entre junho e setembro daquele ano, conforme apurado pelo jornal Correio.
A prisão de Luiz Augusto Normanha de Carvalho ocorreu em 7 de outubro, durante a terceira fase da Operação Terra Justa, que investiga a atuação de uma organização criminosa em conflitos de terra no oeste baiano. Segundo o MP-BA, o oficial recebia pagamentos para não reprimir as atividades do grupo armado.
As investigações revelaram detalhes das transações financeiras:
Além do recebimento de valores, a acusação aponta que o tenente-coronel teria auxiliado na estrutura da milícia, definindo escalas de vigilantes armados e usando sua influência para favorecer a contratação de serviços de segurança irregulares, mesmo após a prisão do líder do grupo.
Luiz Augusto Normanha de Carvalho é tenente-coronel da PM da Bahia. Ele foi comandante da 30ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Santa Maria da Vitória até 2023 e também atuou como diretor do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa.
Ele foi denunciado pelo MP-BA por corrupção passiva militar. A acusação formal é de receber R$ 286 mil para deliberadamente deixar de combater as ações de uma milícia armada que atuava na região de Correntina, no oeste do estado.
Segundo as investigações, o grupo prestava serviços de segurança privada para fazendeiros envolvidos em conflitos fundiários. A milícia era utilizada para ameaçar e expulsar comunidades tradicionais de suas terras, atuando na região por mais de dez anos.
A justificativa apresentada pelo tenente-coronel Luiz Augusto Normanha de Carvalho é vista pelo Ministério Público como frágil diante da inconsistência das datas. O caso expõe a complexa relação entre agentes de segurança e o crime organizado em disputas de terra na Bahia, com a Operação Terra Justa continuando a desvendar a extensão do esquema.
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