Beto Simonetti, chefe da OAB, gerou uma crise interna ao tentar anular o pedido de afastamento de Paulo Gonet do Caso Master. Mensagens revelam apelo e racha.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 11 de setembro de 2026. Uma tentativa do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, de reverter a decisão da entidade de pedir o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do chamado "Caso Master" gerou uma grave crise interna e expôs um racha na liderança da advocacia brasileira.
Em mensagens enviadas a presidentes de seccionais estaduais, Simonetti defendeu a inocência de Gonet e fez um apelo para que a decisão fosse revista, afirmando: "acreditem em mim que é necessário", conforme revelado pelo blog da jornalista Bela Megale.
O estopim da crise foi uma série de mensagens de Beto Simonetti em um grupo de WhatsApp na manhã de quinta-feira (10). Ele declarou que a OAB estaria usando "dois pesos e duas medidas" e que sentia "um sentimento de injustiça", descrevendo Paulo Gonet como "um homem de bem", de acordo com a apuração do jornal O Globo. Simonetti chegou a anunciar que apresentaria uma nova petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para desconsiderar o pedido de afastamento, assumindo total responsabilidade pela decisão.
A iniciativa gerou forte reação de outros presidentes estaduais, que argumentaram que a decisão original havia sido tomada após uma longa reunião de quatro horas em Brasília. Diante da resistência, Simonetti insistiu, alegando que não poderia "falar abertamente" sobre os motivos, mas que o recuo era "melhor para todos". Após a divisão explícita no grupo, ele desistiu de protocolar a nova petição.
A solicitação para que Gonet não atuasse no caso foi protocolada pela OAB na quarta-feira (9). A entidade argumentou que, por ter sido citado no relatório da Polícia Federal sobre as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, e por ter sido intimado pelo ministro Edson Fachin a prestar esclarecimentos, Gonet não teria a isenção necessária para atuar como fiscal da lei no mesmo processo, conforme noticiado pela Gazeta do Povo e pelo portal Terra Brasil Notícias.
A OAB classificou a medida como "estritamente processual e preventivo", sugerindo que o vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand, assumisse o caso para preservar a neutralidade processual.
Apesar de ter recuado da tentativa de reverter a decisão institucionalmente, Simonetti manifestou seu apoio pessoal ao PGR. Em entrevista ao site "Jurinews", ele afirmou ter "profundo respeito por sua trajetória e pela seriedade com que ele exerce suas responsabilidades". Segundo O Globo, essa declaração pública reacendeu as discussões e o mal-estar no grupo de presidentes da OAB.
A OAB pediu que Gonet se abstivesse de atuar no caso porque ele foi citado em investigações e intimado a prestar esclarecimentos ao STF sobre os mesmos fatos. A entidade argumenta que isso cria um conflito de interesses, comprometendo a neutralidade processual, e que a medida tem caráter preventivo.
Simonetti afirmou em mensagens privadas que Gonet "é inocente" e que sentia "um sentimento de injustiça". Ele fez um apelo para que os colegas confiassem nele, dizendo ser "necessário" reverter a decisão, sem poder explicar abertamente os motivos.
Refere-se à investigação sobre a troca de mensagens entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso ganhou notoriedade após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que detalhava as conversas e citava outras autoridades, incluindo Paulo Gonet.
A tentativa frustrada de Beto Simonetti de reverter uma decisão colegiada da OAB expôs uma profunda divisão interna na entidade. Embora a posição oficial de pedir o afastamento de Paulo Gonet do caso permaneça, o episódio revela as intensas pressões políticas que cercam as investigações envolvendo membros do Judiciário e do Ministério Público, colocando a liderança da OAB em uma posição delicada perante a advocacia e a sociedade.
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