Uma nova pesquisa revela que primatas formam laços com cães, esquilos e outros animais, um comportamento que pode ser a origem evolutiva da nossa relação com pets.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sim, macacos e outros primatas podem desenvolver relações de amizade e cuidado com animais de outras espécies de maneira semelhante à que os humanos fazem com seus pets. A conclusão é de um estudo internacional liderado pela Universidade de Oxford e publicado na revista científica Primates, que sugere que a origem desse comportamento pode ser milhões de anos mais antiga que o Homo sapiens. Atualizado em 31 de julho de 2026.
Pesquisadores realizaram a primeira revisão abrangente sobre o tema, analisando 427 casos documentados de interações amigáveis. O levantamento envolveu 88 espécies de primatas e 127 espécies parceiras, que incluíam cães, porcos, esquilos e até aves, conforme detalhado por fontes como a revista Galileu e a Popular Science.
Os episódios registrados mostram primatas que brincam, acariciam, carregam e, em casos raros, até adotam animais de outras espécies. Entre os exemplos notáveis estão:
A análise dos casos revelou que as formas mais frequentes de interação eram brincadeiras (139 casos) e a "catação" ou limpeza (136 casos), um comportamento típico de vínculo social entre primatas. O estudo, divulgado pelo portal Phys.org, também observou que os jovens eram mais propensos a brincar com outras espécies, enquanto as fêmeas adultas eram mais inclinadas a oferecer cuidados e limpeza.
Apesar dos muitos exemplos positivos, os pesquisadores alertam que nem todas as relações tiveram um final feliz. Em pelo menos 13 episódios registrados, um dos animais envolvidos morreu. Um dos casos citados foi o de um babuíno macho na Arábia Saudita, que foi visto carregando um filhote de cachorro em um comportamento interpretado como um possível sequestro, reforçando que a curiosidade entre espécies pode ter consequências negativas.
Na natureza, relações entre espécies diferentes geralmente ocorrem por vantagens práticas, como proteção ou facilidade para encontrar alimento (mutualismo). No entanto, os casos observados nos primatas muitas vezes não apresentavam uma recompensa imediata, sugerindo uma curiosidade social inata.
Segundo Cyril Grueter, autor principal do estudo, esses comportamentos "podem representar alguns dos alicerces evolutivos a partir dos quais a companhia entre humanos e animais acabou por emergir". As descobertas fornecem novos insights sobre a evolução da empatia e da flexibilidade social, além de poderem ajudar na gestão de zoológicos e santuários que abrigam diferentes espécies em um mesmo ambiente.
Não exatamente. Os pesquisadores destacam que o comportamento observado não se configura como a posse de animais de estimação que conhecemos, mas pode indicar as bases evolutivas que levaram os humanos a desenvolverem essa capacidade de criar laços com outras espécies.
A lista de espécies parceiras é vasta e inclui mamíferos como cães, porcos, esquilos, veados e roedores, além de aves e répteis. As interações também ocorreram entre diferentes espécies de primatas, como lêmures cuidando de outros tipos de lêmures em Madagascar.
O estudo da Universidade de Oxford desafia a ideia de que os humanos são únicos na capacidade de formar laços sociais com outras espécies. Ao documentar centenas de casos de amizade, cuidado e brincadeira entre primatas e outros animais, a pesquisa oferece um vislumbre das profundas raízes evolutivas da empatia e da nossa própria relação com os animais de estimação.