Um novo estudo revela que o esturjão-do-lago, peixe dos Grandes Lagos, pode ultrapassar 400 anos, tornando-o um dos vertebrados mais longevos. Entenda a descoberta.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma nova pesquisa sugere que o esturjão-do-lago (Acipenser fulvescens), encontrado nos Grandes Lagos na fronteira entre Estados Unidos e Canadá, pode viver mais de 400 anos, colocando-o entre os vertebrados mais longevos conhecidos. Atualizado em 17 de setembro de 2026. A descoberta, publicada no Journal of Fish Biology, desafia estimativas anteriores que limitavam sua vida a cerca de 100 anos.
Até então, a idade dos esturjões era calculada pela contagem de anéis de crescimento nos espinhos das nadadeiras, um método similar ao usado em troncos de árvores. No entanto, pesquisadores descobriram que essa técnica é imprecisa para peixes muito velhos, pois o tecido ósseo pode ser reabsorvido, apagando os anéis e subestimando a idade real do animal, conforme detalhado em estudos (Aventuras na História, 2026).
Para superar essa limitação, a equipe utilizou o método de "captura-marcação-recaptura" ao longo de 44 anos. Milhares de peixes foram capturados, medidos, marcados com uma etiqueta de identificação e devolvidos à água. Ao recapturar os mesmos indivíduos anos depois, foi possível calcular suas taxas de crescimento anuais e desenvolver modelos matemáticos para estimar a idade máxima (Revista Galileu, 2026).
Os modelos estatísticos desenvolvidos a partir dos dados coletados indicam que a espécie pode atingir idades muito superiores às registradas anteriormente. As estimativas apontam que machos podem chegar a 435 anos, enquanto fêmeas podem alcançar até 427 anos (Revista Galileu, 2026; BH 24 Horas, 2026). Antes deste estudo, o esturjão-do-lago mais velho já documentado tinha 154 anos, capturado em 1953.
Os pesquisadores ressaltam que esses números são estimativas baseadas em modelos de crescimento e ainda precisam de confirmação por métodos independentes, como a datação por radiocarbono, técnica que já foi usada para confirmar a idade do tubarão-da-Groenlândia, considerado o vertebrado mais longevo do planeta, com mais de 500 anos.
A descoberta tem implicações cruciais para a conservação do esturjão-do-lago. No século 19, a população da espécie nos Grandes Lagos era estimada em 15 milhões; hoje, corresponde a menos de 1% desse total, principalmente devido à pesca desregulamentada no início do século 20 (BH 24 Horas, 2026).
O ritmo de reprodução lento agrava a vulnerabilidade da espécie. As fêmeas atingem a maturidade sexual apenas entre 20 e 25 anos e desovam somente a cada quatro a nove anos. Isso significa que a recuperação populacional pode levar séculos, tornando a proteção dos indivíduos adultos, que podem ter sobrevivido a décadas de exploração, uma prioridade absoluta.
O esturjão-do-lago (Acipenser fulvescens), um peixe de água doce dos Grandes Lagos, pode viver mais de 400 anos, segundo um novo estudo baseado em 44 anos de monitoramento por captura e recaptura.
Ele habita os Grandes Lagos e rios associados, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. É o maior peixe da região, podendo atingir até 1,8 metro de comprimento.
A espécie está ameaçada devido à pesca excessiva no passado, que reduziu sua população a menos de 1% do número original, e ao seu ciclo de vida lento, com maturação tardia e reprodução pouco frequente, o que dificulta a recuperação.
A pesquisa sobre o esturjão-do-lago não apenas redefine a longevidade da espécie, mas também reforça a urgência de estratégias de conservação a longo prazo. A proteção desses "fósseis vivos", que existem há mais de 200 milhões de anos, é fundamental para garantir a sobrevivência de uma das espécies de água doce mais antigas e duradouras do planeta.
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