Cientistas liderados por um brasileiro identificam o Leopardus tilcayo, a primeira nova espécie de felino descrita em cerca de um século. Saiba mais sobre o animal.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 17 de setembro de 2026. Uma equipe de pesquisadores liderada pelo brasileiro Eduardo Eizirik, da PUC-RS, identificou uma nova espécie de felino nas florestas montanhosas da Bolívia, a primeira descoberta do tipo em cerca de um século. Batizado de Leopardus tilcayo, o animal foi confirmado como uma espécie distinta por meio de análises de DNA, conforme publicado na revista científica Current Biology.
O Leopardus tilcayo é um pequeno gato selvagem, com cerca de 45 cm de comprimento e uma cauda de 25 cm. O nome popular "tilcayo" é como o animal é conhecido pelos moradores locais e inspirou sua designação científica. Ele pertence ao grupo dos gatos-do-mato-pequenos, que inclui outras espécies nativas do Brasil, mas não tem parentesco com leopardos, que não existem nas Américas.
Seu habitat são as "yungas" bolivianas, uma área de transição entre a floresta amazônica e a Cordilheira dos Andes, caracterizada por intensa umidade e grande variação de altitude, indo de 400 a 3.500 metros. Esse ambiente isolado é considerado um fator chave para o surgimento de novas espécies.
A identificação do Leopardus tilcayo representa a primeira vez que uma nova espécie de felino não fóssil é descrita desde 1923. Segundo o pesquisador Eduardo Eizirik, descobertas anteriores, como a do L. guttulus da Mata Atlântica, foram "revalidações" de nomes já propostos no passado. "O caso do L. tilcayo é diferente. Não havia nome disponível porque ninguém havia proposto a existência da espécie antes", explicou Eizirik à Folha.
A pesquisa, coordenada por Eizirik junto a Jonas Lescroart (PUC-RS/Universidade de Antuérpia) e Paola Nogales-Ascarrunz (Universidad Mayor de San Andrés), mapeou o genoma completo de 38 felinos do gênero Leopardus, usando amostras de animais vivos e de museus para elucidar a complexa árvore genealógica do grupo.
As análises genéticas estimam que a linhagem do Leopardus tilcayo se separou dos demais gatos-do-mato-pequenos há aproximadamente 1,5 milhão de anos. As mudanças climáticas durante a Era do Gelo, que causaram o avanço e recuo das florestas, teriam contribuído para o isolamento que levou à sua evolução distinta.
Curiosamente, o DNA mitocondrial do tilcayo — material genético transmitido apenas pela mãe — é derivado de um ancestral do gato-do-mato-grande (L. geoffroyi), indicando que ocorreram hibridizações (cruzamentos entre espécies) no passado. A descoberta é fundamental para orientar esforços de conservação, garantindo a proteção de uma população com características genéticas únicas.
A nova espécie foi nomeada cientificamente como Leopardus tilcayo. O nome é uma homenagem ao termo "tilcayo", como o animal é conhecido popularmente na região onde vive.
O Leopardus tilcayo foi encontrado nas florestas montanhosas da Bolívia, em uma região de transição entre a Amazônia e os Andes conhecida como "yungas".
É a primeira vez em cerca de 100 anos que uma nova espécie de felino (não fóssil) é formalmente descrita pela ciência. A descoberta, liderada por um brasileiro, amplia o conhecimento sobre a biodiversidade e é crucial para a conservação de espécies.
A identificação do Leopardus tilcayo é um marco para a zoologia e a genética, revelando que mesmo grupos de animais carismáticos como os felinos ainda guardam segredos. Liderada por um pesquisador brasileiro, a descoberta reforça a necessidade de proteger ecossistemas únicos como as yungas bolivianas e de continuar investindo em pesquisa para entender a complexa teia da vida no planeta.
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