Novas imagens do Senegal mostram chimpanzés adultos entregando ferramentas a filhotes para capturar alimentos. Entenda como essa descoberta muda o que sabemos.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sim, chimpanzés selvagens ensinam ativamente seus filhotes, e novas evidências em vídeo comprovam isso. Atualizado em 16 de setembro de 2026, um estudo revelou imagens de chimpanzés adultos no Senegal transferindo ferramentas para os mais jovens, facilitando o aprendizado de como obter comida. A descoberta, publicada na revista Frontiers in Psychology, reforça que o ensino desempenha um papel crucial na transmissão de habilidades complexas entre esses primatas.
Pesquisadores da Universidade de Barcelona e do Instituto Jane Goodall analisaram quase 15 horas de gravações feitas por câmeras instaladas em Dindefelo, no Senegal, entre 2017 e 2025. De acordo com os dados, foram identificados 33 episódios em que um chimpanzé transferiu uma ferramenta para outro, principalmente em atividades como captura de formigas, coleta de algas e busca por cupins.
A análise mostrou que a transferência de ferramentas é uma forma de ensino, ocorrendo de indivíduos experientes para os inexperientes. Em 30% dos casos registrados, a transferência ocorreu de uma mãe para seu filhote, indicando um forte laço familiar no processo de aprendizado, conforme detalhado por Andreu Sánchez-Megías, principal autor do estudo.
Uma das cenas mais marcantes capturadas em vídeo envolveu uma chimpanzé chamada Soukki e sua filha, Saïsaï. A mãe inseriu um graveto em um formigueiro, deixou-o no local e, em seguida, conduziu a filhote até a ferramenta. Saïsaï então retirou o graveto e comeu as formigas presas a ele. Esse comportamento demonstra um papel ativo do professor, que modifica sua ação para facilitar a transmissão de conhecimento.
A descoberta é significativa porque vai além do aprendizado por observação. O ensino ativo, como visto nos vídeos, exige que o "professor" modifique seu comportamento para ajudar o "aluno", um processo que se acredita ter evoluído para transmitir informações complexas demais para serem adquiridas apenas individualmente. Essa transferência de tecnologia é custosa para o doador, mas altamente benéfica para o filhote, preenchendo os critérios científicos para a definição de ensino.
Os pesquisadores também registraram um jovem macho ensinando um filhote a quebrar frutos de baobá, guiando sua mão até a fruta após uma demonstração, o que reforça a existência de múltiplos mecanismos sociais de aprendizado.
Eles aprendem por uma combinação de observação, prática supervisionada e ensino ativo. Indivíduos mais experientes, como as mães, transferem ferramentas diretamente aos mais jovens e orientam suas ações para facilitar o aprendizado de tarefas complexas.
Chimpanzés são conhecidos por fabricar e usar diversas ferramentas, como gravetos para capturar formigas, cupins e algas, esponjas feitas de folhas para absorver água e até pedras como "bigornas" para quebrar frutos duros, como o baobá.
A pesquisa foi realizada com chimpanzés-ocidentais (Pan troglodytes verus) na estação biológica do Instituto Jane Goodall em Dindefelo, uma savana no Senegal. Essa região é conhecida por comportamentos únicos de uso de ferramentas por esses animais.
As evidências em vídeo do Senegal oferecem uma visão clara de que o ensino ativo é uma estratégia utilizada por chimpanzés para transmitir cultura e tecnologia. Essa descoberta não apenas aprofunda nosso entendimento sobre nossos parentes vivos mais próximos, mas também lança luz sobre as origens evolutivas do ensino e da cultura.
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