Destroços do 'navio do inferno' Hofuku Maru, que afundou com 1.289 prisioneiros na 2ª Guerra, são localizados nas Filipinas pela Hellships Memorial.
Olyvio Marques
Editor · História · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Os destroços do navio japonês Hofuku Maru, que naufragou com mais de mil prisioneiros de guerra em 1944, foram encontrados na costa das Filipinas quase 80 anos após a tragédia. Atualizado em 31 de julho de 2026, a descoberta foi anunciada pela Hellships Memorial Foundation, organização dedicada a preservar a memória das vítimas dos chamados "navios do inferno".
A embarcação afundou em 21 de setembro de 1944, após ser atacada por aeronaves dos Estados Unidos que não sabiam da presença de prisioneiros a bordo. O navio, que não tinha identificação de transporte de prisioneiros, foi tratado como um alvo militar, resultando na morte de 1.047 dos 1.289 prisioneiros britânicos e holandeses confinados nos porões.
O Hofuku Maru, construído em 1918, era parte de uma frota de embarcações japonesas apelidadas de "hell ships" (navios do inferno) durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo a Hellships Memorial Foundation, esses navios eram usados para transportar prisioneiros de guerra em condições desumanas. Os detentos eram mantidos em porões superlotados, com ventilação inadequada, escassez de água e alimentos, e sem saneamento básico ou atendimento médico.
Na data do naufrágio, o Hofuku Maru navegava em um comboio japonês na costa da ilha de Luzon, nas Filipinas. Sem qualquer sinalização que indicasse o transporte de prisioneiros aliados, o navio foi atacado por aviões da Marinha dos EUA. Atingido por bombas e torpedos, o cargueiro partiu-se ao meio e afundou rapidamente, em menos de três minutos, conforme relatos históricos. A maioria dos 1.289 prisioneiros não conseguiu escapar dos porões.
A localização do Hofuku Maru encerra décadas de incerteza. A descoberta foi possível graças a uma combinação de tecnologia e pesquisa histórica. A equipe da Hellships Memorial Foundation utilizou levantamentos com sonar de varredura lateral, mergulhos técnicos e fotogrametria submarina para mapear o fundo do mar.
O ponto de virada na busca, de acordo com a Exame, foi a análise de documentos militares japoneses e norte-americanos pelo pesquisador John Duresky. Esses registros indicaram que o navio havia afundado cerca de 50 quilômetros além da posição considerada correta até então. Com as novas coordenadas, a equipe direcionou as buscas para a costa de San Narciso, onde encontrou a embarcação fragmentada em três partes.
Dos 1.289 prisioneiros de guerra britânicos e holandeses a bordo, 1.047 morreram no naufrágio em 21 de setembro de 1944. Apenas 242 pessoas sobreviveram, sendo que algumas foram recapturadas por forças japonesas.
Os destroços foram encontrados no fundo do mar próximo à costa de San Narciso, na província de Zambales, na ilha de Luzon, Filipinas. As coordenadas exatas não foram divulgadas para proteger o local, que será tratado como um túmulo de guerra.
O Hofuku Maru foi atacado porque não exibia nenhuma identificação de que transportava prisioneiros de guerra. As forças aliadas o trataram como um alvo militar convencional do comboio japonês.
A Hellships Memorial Foundation afirmou que o local do naufrágio será preservado como um túmulo de guerra e um memorial às vítimas. Restos humanos foram encontrados entre os destroços, e por isso, nenhum objeto será removido. "Esperamos que esta descoberta ofereça às famílias e às nações um lugar para recordar, lamentar e homenagear", declarou o pesquisador-chefe John Duresky, em comunicado repercutido pela Folha de S.Paulo.
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