Em 1948, 76 castores foram lançados de paraquedas em Idaho, EUA. Entenda o motivo por trás desta inusitada operação de conservação para resolver conflitos.
Olyvio Marques
Editor · História · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em uma das operações de conservação mais inusitadas da história, 76 castores foram lançados de paraquedas sobre uma região remota de Idaho, nos EUA, em 1948. A medida visava resolver conflitos crescentes entre os roedores e a expansão humana, realocando-os para áreas onde seus talentos de "engenheiros do ecossistema" pudessem revitalizar a paisagem. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Após a Segunda Guerra Mundial, a expansão de áreas habitadas em Idaho aproximou fazendeiros de territórios de castores. As represas construídas pelos animais, essenciais para o ecossistema, frequentemente bloqueavam valas de irrigação, causando prejuízos a agricultores, conforme relatado pelo Departamento de Pesca e Caça do estado. Na época, a solução comum seria o extermínio, mas a importância ecológica dos castores já era reconhecida.
Métodos anteriores de realocação, que envolviam longas viagens por estrada e depois em lombos de mulas, eram caros, demorados e resultavam em uma alta taxa de mortalidade dos animais devido ao estresse e ao calor.
Diante do desafio, Elmo W. Heter, do Departamento de Pesca e Caça de Idaho, propôs uma solução radical: transportar os castores de avião e lançá-los de paraquedas. Foram utilizados paraquedas excedentes da Segunda Guerra Mundial e caixas de madeira especiais, projetadas para se abrirem automaticamente com o impacto no solo, liberando os animais em segurança.
Antes da operação em larga escala, o sistema foi exaustivamente testado. Um castor macho mais velho, apelidado de "Geronimo", foi o principal "voluntário". Ele foi lançado diversas vezes em um campo de aviação para garantir a eficácia e a segurança do equipamento. Segundo relatos, Geronimo se acostumou tanto com o procedimento que voltava para a caixa por conta própria após cada aterrissagem.
A operação, realizada em agosto de 1948 na Bacia de Chamberlain, foi um sucesso retumbante. Dos 76 castores paraquedistas, 75 sobreviveram à realocação. A única fatalidade ocorreu quando um animal conseguiu escapar parcialmente da caixa durante o voo. Um ano depois, verificou-se que os castores haviam se estabelecido, construído novas represas e iniciado a revitalização do ecossistema local.
Apesar do sucesso, o método nunca foi repetido, pois novas tecnologias e abordagens de convivência com a vida selvagem foram desenvolvidas. A história foi redescoberta em 2015, quando um filme da época, intitulado "Fur for the Future", foi encontrado e digitalizado, revelando as imagens desta peculiar missão de conservação.
Ao todo, 76 castores foram lançados de paraquedas na operação de 1948 em Idaho. Desses, 75 sobreviveram e se adaptaram com sucesso ao novo habitat.
Sim, a operação foi considerada um grande sucesso. Além da altíssima taxa de sobrevivência, os castores realocados estabeleceram colônias na Bacia de Chamberlain, construindo represas que ajudaram a restaurar áreas úmidas e a melhorar a biodiversidade local.
Geronimo foi um castor macho usado nos testes preliminares do sistema de paraquedas. Ele foi lançado repetidamente para garantir que as caixas de transporte abrissem corretamente e que o método era seguro para os animais antes da operação principal com os outros 75 castores.
A história dos castores paraquedistas de Idaho é um exemplo fascinante de criatividade na conservação da vida selvagem. O que parecia uma ideia absurda provou ser uma solução eficaz para um problema complexo, equilibrando as necessidades humanas com a proteção de uma espécie-chave para a saúde dos ecossistemas.
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