A indústria de saúde animal enfrenta longos prazos para o registro de novos produtos no MAPA, com esperas que podem superar 4 anos. Entenda os desafios.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A indústria veterinária brasileira enfrenta um grande obstáculo para a inovação e o crescimento: a lentidão no processo de registro de novos produtos. Segundo relatos do setor, o tempo de aprovação e renovação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) pode ultrapassar quatro anos, com casos que chegam a oito. Atualizado em 16 de setembro de 2026.
A questão da regulação e seus desafios é um tema central para entidades como a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (ALANAC), que reúne 29 empresas da área de saúde veterinária e promoveu um seminário em Brasília para debater o futuro do setor com representantes do governo.
O registro de um produto de uso veterinário no Brasil é um processo regulado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A base legal inclui o Decreto nº 5.053/2004, que estabelece as regras de fiscalização. O processo é digitalizado e ocorre por meio de sistemas como o SIPEAGRO e o SEI-MAPA, exigindo que a empresa organize um dossiê técnico completo para análise.
Embora os serviços de solicitação de registro no MAPA sejam gratuitos, as empresas arcam com custos técnicos significativos, como ensaios laboratoriais e estudos de eficácia e segurança, que são necessários para compor a documentação exigida.
O principal desafio apontado por especialistas é o tempo excessivo para a análise e aprovação dos processos. Um artigo sobre os desafios regulatórios no setor destaca que a espera para aprovação de produtos veterinários é "acima de 4 anos (relato de casos com 6 a 8 anos)".
Entre os fatores que contribuem para a demora está a equipe considerada restrita no MAPA, que é responsável tanto pela aprovação de registros quanto pela fiscalização de estabelecimentos em todo o país. Essa limitação de pessoal impacta diretamente a velocidade com que os dossiês são analisados e liberados.
Para buscar soluções e melhorias no ambiente regulatório, associações setoriais têm atuado como uma ponte entre as empresas e o poder público. A ALANAC, por exemplo, realizou o I Seminário de Desenvolvimento da Indústria Nacional Veterinária (DINVET) em 15 de setembro de 2026, em Brasília.
O evento reuniu lideranças empresariais e representantes do MAPA, como o secretário de Defesa Agropecuária, para discutir o impacto da regulação no futuro da indústria, questões tributárias e a expansão das exportações, demonstrando o esforço do setor para destravar investimentos.
Não há um prazo oficial fixo, mas relatos do setor indicam que o tempo de aprovação e renovação de registros pode ser superior a quatro anos, com alguns casos se estendendo por até oito anos.
A regulação e a fiscalização de produtos de uso veterinário são de responsabilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), conforme estabelecido pelo Decreto nº 5.053 de 2004.
Não. Os serviços federais de solicitação de registro de produtos e estabelecimentos no MAPA são gratuitos. No entanto, as empresas têm custos técnicos e profissionais para elaborar os dossiês, como estudos e ensaios laboratoriais.
A morosidade no processo de registro de produtos veterinários representa um gargalo significativo para a indústria de saúde animal no Brasil. Embora o arcabouço regulatório seja robusto, a lentidão na análise dos processos pelo MAPA, atribuída em parte a uma equipe limitada, adia a chegada de inovações ao mercado. A mobilização do setor, por meio de associações como a ALANAC, é fundamental para dialogar com o governo e buscar a otimização dos fluxos regulatórios.
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