A importação massiva de pneus da China coloca em risco uma fábrica com 1,3 mil empregos no RS. Setor alega concorrência desleal. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A indústria nacional de pneus enfrenta uma crise severa devido à "avalanche" de produtos importados, principalmente da China, que já dominam 70% do mercado de reposição. A situação é tão crítica que a fábrica da Prometeon em Gravataí (RS), com 1.360 funcionários, corre o risco de fechar as portas após 52 anos de operação. Atualizado em 18 de setembro de 2026.
A principal queixa do setor é a suposta prática de dumping, quando produtos são vendidos abaixo do preço de custo para desestabilizar a concorrência local. Segundo Rodrigo Navarro, presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), a diferença de preço chega a ser de 500% a 600%, o que inviabiliza a competição. "Não é competitividade nem aqui, nem, literalmente, na China", afirmou Navarro em entrevista à Rádio Gaúcha.
Dados da Anip mostram uma inversão drástica no mercado. Em 2019, a produção nacional abastecia 70% do mercado de reposição, enquanto os importados representavam 30%. Hoje, a situação é oposta, com os importados dominando 70% das vendas, conforme divulgado pela UOL Carros.
O impacto mais visível da crise está na fábrica da Prometeon em Gravataí. A unidade, que produz pneus para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, já opera com 25% de ociosidade e chegou a paralisar a produção. A empresa, originada da Pirelli, enfrenta dificuldades não apenas pela concorrência asiática, mas também pela queda nas exportações para os Estados Unidos após um aumento de tarifas.
Executivos da empresa e o prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon, já se reuniram com o governo do Rio Grande do Sul para buscar soluções. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt, confirmou que buscará apoio em Brasília para acelerar as investigações sobre dumping, segundo GZH.
A indústria brasileira pressiona o governo federal por medidas de proteção, como o aumento do imposto de importação para 35%, o teto permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Atualmente, a alíquota para pneus de passeio é de 25%. Em comparação, a União Europeia impôs sobretaxas de 45,3% e os Estados Unidos, de 78% sobre pneus chineses.
Além do imposto, já existe um direito antidumping específico para pneus de automóveis da China, que pode chegar a US$ 1,77 por quilo. No entanto, o setor industrial considera as medidas atuais insuficientes para frear o que chamam de "invasão" dos importados.
O preço competitivo dos pneus chineses se deve a uma combinação de fatores, como mão de obra mais barata na China, produção em larga escala e altos investimentos em automação industrial, que reduzem os custos de fabricação.
A qualidade dos pneus chineses melhorou significativamente nos últimos anos. Marcas como Linglong, Sailun e Triangle investem em tecnologia e possuem certificações internacionais, incluindo o selo do Inmetro no Brasil. A principal crítica, segundo testes e relatos de usuários, costuma ser a durabilidade, que pode ser menor em comparação com marcas premium.
Dumping é uma prática comercial em que uma empresa exporta um produto por um preço inferior ao que pratica em seu próprio mercado interno ou abaixo do seu custo de produção. O objetivo é eliminar concorrentes e conquistar fatias de mercado de forma desleal, o que é combatido com sobretaxas de importação.
A indústria brasileira de pneus está em um momento crítico, pressionada pela concorrência de importados asiáticos a preços considerados "artificialmente baixos". O risco de fechamento da fábrica da Prometeon no RS e a perda de milhares de empregos acendem um alerta sobre a necessidade de políticas de defesa comercial mais eficazes para garantir a sobrevivência do setor e a soberania industrial do país.
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