Fábrica de lã de vidro da Isover em Santo Amaro para de operar após décadas de reclamações de moradores sobre poluição. Saiba o que motivou a decisão.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A fábrica da Isover Saint-Gobain em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, encerrou definitivamente a produção de lã de vidro após 75 anos de operação. A decisão cumpre um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público, motivado por um longo histórico de reclamações de moradores sobre poluição e ruído. Atualizado em 12 de agosto de 2026, o local será convertido em um centro de distribuição.
O encerramento das atividades industriais foi o desfecho de um acordo assinado em dezembro de 2025 entre a Isover, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Conforme o TAC, a empresa tinha até o dia 4 de julho de 2026 para cessar a fabricação de lã de vidro, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
O principal equipamento da unidade, o forno de fusão de vidro, foi desligado em 31 de julho, marcando o fim do processo industrial que operava no local desde 1951. A empresa agora deve seguir um cronograma para desmontar os equipamentos e realizar estudos para verificar as condições ambientais do terreno.
A decisão foi impulsionada por décadas de queixas da comunidade local. Moradores dos arredores da fábrica relatavam problemas constantes com a emissão de fumaça, fuligem, forte odor e ruídos excessivos, inclusive durante a madrugada. As denúncias levaram a Cetesb a aplicar pelo menos três multas e duas advertências à empresa entre 2023 e 2025 por emissão de odores e descumprimento de determinações.
O fim da produção afeta diretamente cerca de 100 funcionários e outros 50 trabalhadores indiretos ligados à operação fabril. Em nota, a Isover afirmou que conduziu o processo de forma transparente e buscando reduzir os impactos sociais.
Apesar do fechamento da linha de produção, a unidade de Santo Amaro não será desativada. O imóvel será reestruturado para funcionar como um centro de distribuição, garantindo o fornecimento de produtos da marca no mercado brasileiro. A Saint-Gobain, grupo controlador da Isover, mantém suas demais operações no país.
A fábrica encerrou a produção para cumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, resultado de anos de reclamações de moradores sobre poluição do ar (fumaça, odor, fuligem) e sonora (ruídos noturnos).
O local será transformado em um centro de distribuição da própria Isover, responsável por receber, armazenar e distribuir os produtos da marca, mas sem atividade industrial.
O encerramento das atividades industriais impactou aproximadamente 150 postos de trabalho, sendo cerca de 100 funcionários diretos e 50 indiretos.
O encerramento da produção na fábrica da Isover em Santo Amaro representa o fim de um ciclo industrial de 75 anos e uma vitória para a comunidade local, que há muito reivindicava melhores condições ambientais. A transição para um centro de distribuição mantém a presença da empresa na região, mas encerra o conflito gerado pela atividade fabril em uma área densamente urbanizada.
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