Fabricante de refrigerantes é alvo de ação inédita da PGFN e PGE-SP por débitos fiscais. Entenda as acusações de blindagem patrimonial e o futuro da empresa.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Grupo Dolly, conhecido pela popular marca de refrigerantes, é alvo de um pedido de falência protocolado conjuntamente pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP). A ação, registrada nesta quarta-feira (1º), baseia-se em uma dívida acumulada de R$ 15,75 bilhões com a União, o estado de São Paulo e o FGTS. Atualizado em 1 de julho de 2026.
A dívida total cobrada do Grupo Dolly soma R$ 15,75 bilhões. Segundo as procuradorias, o valor é resultado de débitos que se arrastam por mais de 25 anos e está dividido da seguinte forma:
De acordo com a PGFN e a PGE-SP, o montante não é fruto apenas de dificuldades operacionais, mas de uma estratégia deliberada de "blindagem patrimonial" para evitar o pagamento de impostos.
O Grupo Dolly estava em processo de recuperação judicial desde 2018. No entanto, em maio deste ano, a empresa pediu para migrar para um regime de recuperação extrajudicial. Para as autoridades, a manobra teve como objetivo escapar da exigência de regularização fiscal, que é obrigatória no processo judicial, mas não no extrajudicial.
As procuradorias afirmam que, durante quase oito anos, o grupo utilizou a recuperação judicial para frustrar execuções fiscais e criar novas estruturas para ocultar ativos. A ação também aponta que a sonegação de tributos teria garantido à Dolly uma vantagem competitiva injusta sobre outras empresas do setor de bebidas que cumprem suas obrigações legais.
A iniciativa inédita dos órgãos públicos se ampara em uma decisão de fevereiro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconheceu a legitimidade da Fazenda Pública para pedir a falência de grandes devedores em casos de tentativas de execução fiscal frustradas, equiparando-a a credores privados.
O objetivo do pedido de falência, segundo as procuradorias, não é o fechamento imediato da empresa. A solicitação prevê a continuidade das operações sob a gestão de um administrador judicial. A Lei de Falências permite essa medida para preservar empregos e a atividade econômica, abrindo a possibilidade de a companhia ser vendida futuramente para quitar as dívidas com os credores.
Apesar da ação, os órgãos públicos afirmam que a possibilidade de negociação da dívida por meio de transação tributária, com descontos e parcelamentos, permanece aberta.
A Dolly pode falir devido a um pedido protocolado pela União e pelo estado de São Paulo para cobrar uma dívida fiscal de R$ 15,75 bilhões. As autoridades acusam a empresa de usar manobras jurídicas e "blindagem patrimonial" para não pagar os débitos acumulados por mais de 25 anos.
Não necessariamente. O pedido das procuradorias solicita a continuidade das atividades da empresa sob a supervisão de um administrador judicial. O objetivo é manter os empregos e a operação, enquanto se busca uma solução para o pagamento das dívidas.
O Grupo Dolly é gerido pelo empresário Laerte Codonho, que fundou a marca em 1987. Ele já esteve envolvido em outras disputas judiciais, incluindo acusações de sonegação fiscal em 2017 e uma condenação por crime ambiental.
O pedido de falência contra o Grupo Dolly representa um marco na cobrança de grandes devedores fiscais no Brasil. Com base em uma dívida bilionária e acusações de manobras estratégicas para evitar pagamentos, o futuro da fabricante de refrigerantes agora está nas mãos da Justiça, que decidirá sobre a continuidade de suas operações e o plano para quitação dos débitos.
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