Decisão do STJ determina que bancos restituam valores de empréstimos consignados do INSS sem autorização válida. Saiba quem tem direito e como proceder.
Olyvio Marques
Editor · Direitos do Consumidor · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Aposentados e pensionistas do INSS que tiveram parcelas de empréstimos consignados descontadas sem autorização válida poderão reaver os valores. Uma decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçou que as instituições financeiras são obrigadas a devolver os valores caso não consigam comprovar a regularidade da contratação. Atualizado em 3 de agosto de 2026.
O entendimento, que ganhou destaque após análise de um caso envolvendo um consumidor analfabeto, estabelece que o simples uso de cartão com chip e senha não é suficiente para validar o contrato, conforme noticiado por diversos veículos. A medida protege principalmente beneficiários em situação de vulnerabilidade.
A deliberação do STJ partiu da análise de um processo de um beneficiário do INSS analfabeto, residente em Minas Gerais. Ele alegou não reconhecer uma série de descontos em seu benefício, incluindo empréstimos, cartão de crédito, cheque especial e tarifas bancárias. Inicialmente, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) havia considerado as transações válidas, justificando que o uso de cartão e senha pessoal indicava a autoria do cliente. No entanto, o STJ reverteu essa interpretação.
Para os ministros do STJ, a senha bancária, por si só, não comprova que um consumidor analfabeto compreendeu as condições do contrato, a natureza da dívida e autorizou conscientemente a operação. Segundo a decisão, a instituição financeira tem a responsabilidade de provar que cumpriu todas as formalidades legais, garantindo a manifestação de vontade clara do cliente.
A legislação brasileira, especificamente o Código Civil, impõe cuidados adicionais para contratos escritos firmados por pessoas que não sabem ler ou escrever. Para o STJ, essas regras também se aplicam a contratações em caixas eletrônicos ou canais digitais. As exigências incluem:
O objetivo é assegurar que o consumidor receba todas as explicações necessárias sobre juros, prazos e valores antes de assumir uma dívida.
Aposentados, pensionistas e outros segurados do INSS podem contestar empréstimos, cartões consignados e tarifas que não reconhecem. Também é possível questionar contratos em que o banco não explicou de forma transparente informações essenciais como taxa de juros, valor total da dívida e número de parcelas. É importante ressaltar que a devolução não é automática e cada caso será analisado individualmente pela Justiça.
Para identificar cobranças indevidas, o beneficiário pode consultar seus extratos através do site ou aplicativo Meu INSS, utilizando a conta Gov.br. As seções importantes são:
Ao encontrar uma cobrança desconhecida, o primeiro passo é procurar o banco para solicitar uma cópia do contrato.
Não. A decisão do STJ serve como um precedente importante, mas não obriga os bancos a devolverem automaticamente todas as parcelas. Cada beneficiário que se sentir lesado precisa contestar o contrato, e a Justiça analisará as provas de cada caso individualmente.
A Justiça determinará a compensação dos valores. Se o contrato for anulado, o cálculo da devolução considerará o montante que o banco efetivamente disponibilizou ao cliente. Esse valor poderá ser abatido do total que a instituição terá de restituir.
Primeiro, acesse o Meu INSS para confirmar os detalhes do desconto. Em seguida, procure a instituição financeira responsável e peça uma cópia do contrato. Se o problema não for resolvido, registre uma reclamação em órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, e considere buscar orientação jurídica.
A decisão do Superior Tribunal de Justiça representa um avanço na proteção dos direitos dos beneficiários do INSS, especialmente os mais vulneráveis. Ela reforça a responsabilidade dos bancos em garantir a transparência e a legalidade na contratação de crédito consignado. A recomendação para aposentados e pensionistas é monitorar regularmente seus extratos de pagamento para identificar e contestar rapidamente qualquer irregularidade.
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