Fenômeno climático deve dominar o clima global a partir de agosto, elevando temperaturas e alterando chuvas, segundo a Organização Meteorológica Mundial.
Olyvio Marques
Editor · Clima · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que o fenômeno El Niño está se intensificando e deve atingir uma intensidade forte, dominando os padrões climáticos globais entre agosto e outubro de 2026. Atualizado em 6 de agosto de 2026, o alerta prevê um aumento na probabilidade de temperaturas acima da média e alterações significativas nos padrões de chuva em todo o mundo.
De acordo com a última atualização da OMM, o El Niño continuará a se fortalecer de forma constante, com modelos climáticos indicando que as anomalias da temperatura da superfície do mar podem ultrapassar 2,9°C nas principais regiões de monitoramento do Oceano Pacífico. Conforme o INMET, a probabilidade de o fenômeno persistir até o início de 2027 é superior a 90%, com alta chance de se tornar um evento "muito forte".
A OMM prevê uma probabilidade extremamente elevada de temperaturas acima da média na maior parte das áreas continentais, incluindo África, sul da Europa, Ásia, América Central e grande parte da América do Sul. O padrão de chuvas também será alterado, com condições mais úmidas esperadas no Chifre da África e sudeste da América do Sul, e mais secas na Austrália, subcontinente indiano e noroeste da América do Sul.
Além do El Niño, os especialistas preveem o desenvolvimento de um Dipolo Positivo do Oceano Índico, um padrão que aquece a porção oeste do oceano enquanto resfria a leste. A combinação desses dois fenômenos pode amplificar os impactos climáticos regionais, aumentando o risco de secas, enchentes e incêndios florestais, especialmente em países da bacia do Oceano Índico.
No Brasil, os efeitos do El Niño costumam ser desiguais. Historicamente, o fenômeno provoca um aumento do volume de chuvas na Região Sul, com maior risco de eventos extremos. Em contrapartida, áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de seca mais severos. O Sudeste e o Centro-Oeste tendem a registrar chuvas mais irregulares e uma maior frequência de ondas de calor, especialmente na primavera e no verão.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele faz parte de um ciclo que alterna com a fase fria, La Niña, e impacta os padrões de temperatura e chuva em várias partes do mundo.
A previsão é de um El Niño forte a muito forte. As anomalias de temperatura da superfície do mar podem superar 2,9°C. Embora o termo "super El Niño" seja usado popularmente, ele não faz parte da classificação oficial da OMM.
Os eventos de El Niño geralmente começam a se desenvolver entre março e junho, atingindo seu pico de intensidade entre novembro e fevereiro. Seus efeitos mais fortes sobre as temperaturas globais costumam ser sentidos no ano seguinte ao seu início.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que "o El Niño adiciona combustível a um planeta que já está em chamas", ressaltando que os combustíveis fósseis intensificam a crise. Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, destacou que as previsões oferecem "uma janela de oportunidade para antecipar riscos e agir antes que os impactos se manifestem". A comunidade internacional está intensificando a coordenação e os sistemas de alerta precoce para apoiar governos e populações vulneráveis.
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