Oceano Pacífico registra anomalia de 1,8°C, aproximando o fenômeno da categoria máxima. Entenda o que diz a Defesa Civil sobre os riscos e os períodos de maior atenção.
Olyvio Marques
Editor · Clima · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Defesa Civil de Santa Catarina intensificou as operações de vigilância diante da aproximação do auge do fenômeno El Niño, que pode atingir a categoria de "Super El Niño" nas próximas semanas. Atualizado em 10 de setembro de 2026, o órgão alerta que o período mais crítico de seus efeitos, especialmente o aumento no volume de chuvas, deve se estender até o outono de 2027.
O alerta se baseia em dados que mostram um aquecimento de 1,8°C nas águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, valor muito próximo do limiar de 2,0°C que classifica o evento como "muito forte", conforme projeções da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA).
A classificação da intensidade do El Niño segue uma escala internacional que monitora a anomalia de temperatura no Oceano Pacífico por pelo menos três meses consecutivos. De acordo com a NOAA, os parâmetros são:
Com o registro atual de 1,8°C, o fenômeno já é considerado forte e, segundo Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil catarinense, "é muito provável que nas próximas semanas ou no próximo mês ele já entre na categoria de um El Niño muito forte".
Com base em registros climatológicos, a Defesa Civil aponta que os reflexos do El Niño costumam potencializar os volumes de chuva em Santa Catarina prioritariamente durante as estações de transição. Por isso, a primavera de 2026 e o outono de 2027 são considerados os dois períodos mais críticos e decisivos para o acompanhamento contínuo dos riscos de eventos extremos no estado.
Apesar do cenário, especialistas reforçam que a intensidade máxima do fenômeno não se traduz, de forma automática, em desastres naturais de maior proporção. Rudorff lembra que eventos severos já ocorreram em diferentes cenários.
"As enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 ocorreram sob influência de um El Niño moderado, e foram mais intensas do que as registradas em 2015, quando o fenômeno atingiu uma das maiores intensidades já registradas", comentou o gerente da Defesa Civil. Ele também citou que catástrofes como as de 2008 e o ciclone-bomba de 2020 ocorreram sob vigência do La Niña, o fenômeno oposto.
É a classificação dada ao fenômeno El Niño quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial ultrapassa 2,0°C acima da média por um período sustentado, indicando sua intensidade máxima.
Segundo a Defesa Civil, os períodos mais críticos para monitoramento de chuvas intensas são a primavera de 2026 e o outono de 2027, estações em que o El Niño historicamente potencializa a precipitação no estado.
Não necessariamente. Especialistas da Defesa Civil alertam que a intensidade do fenômeno não se traduz automaticamente em desastres maiores. Eventos extremos dependem da combinação de vários fatores climáticos, e enchentes severas já ocorreram sob El Niños moderados.
A aproximação de um Super El Niño coloca as autoridades em alerta máximo, com foco especial nos próximos meses até o outono de 2027. Embora o fenômeno aumente o potencial para chuvas intensas, a Defesa Civil de Santa Catarina reforça que a ocorrência de desastres depende de uma complexa combinação de fatores e que o monitoramento contínuo é a principal ferramenta de prevenção.
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