O aquecimento do Pacífico pelo El Niño pode aumentar a presença de tubarões-brancos na costa da Califórnia. Entenda o fenômeno e por que isso não significa mais ataques.
Olyvio Marques
Editor · Clima · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O fenômeno El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico, pode levar a um aumento na presença de tubarões-brancos na costa da Califórnia entre julho e setembro de 2026. Pesquisadores que monitoram a espécie afirmam que a mudança de temperatura influencia o comportamento migratório dos animais, especialmente os mais jovens. No entanto, especialistas reforçam que isso não representa um aumento no risco de ataques a banhistas. Atualizado em 21 de julho de 2026.
O principal fator é a temperatura da água. O El Niño provoca um aquecimento anormal no Oceano Pacífico, e os tubarões-brancos jovens, que são sensíveis a essas variações, buscam águas com temperaturas mais adequadas para eles. Segundo Chris Lowe, especialista da Universidade Estadual da Califórnia, que monitora a espécie desde 2009, os animais tendem a migrar para áreas relativamente mais frias da costa californiana à medida que suas águas tradicionais ao sul se aquecem.
A equipe de Lowe observou um indicativo dessa mudança já em fevereiro de 2026, com um aumento precoce de filhotes de tubarão na região, um evento que normalmente ocorreria apenas em abril. Essa antecipação sugere que o aquecimento das águas está acelerando os padrões migratórios da espécie.
Essa migração para o norte coloca os tubarões jovens em contato com outras espécies, como as lontras-marinhas. Um estudo anterior já havia documentado que, com o aquecimento do oceano, tubarões inexperientes podem morder lontras por engano. Embora essas interações sejam frequentemente fatais para as lontras, os tubarões não as consomem, indicando que o principal impacto é ecológico, e não uma mudança na dieta dos predadores para atacar mamíferos costeiros.
Não. Especialistas são enfáticos ao afirmar que o risco para banhistas permanece extremamente baixo. O aumento de avistamentos não se traduz em uma maior probabilidade de ataques. Dados do International Shark Attack Files, um arquivo global sobre o tema, mostram que os Estados Unidos registraram 25 ataques não provocados em 2025, sendo apenas cinco na Califórnia, com uma fatalidade. Em comparação, estima-se que raios causem cerca de 24 mil mortes por ano globalmente.
O El Niño é um fenômeno climático natural causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança altera a circulação da atmosfera e afeta os padrões de chuva, temperatura e vento em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
O aquecimento das águas provocado pelo El Niño empurra os tubarões-brancos juvenis para o norte, em busca de temperaturas oceânicas mais amenas. Eles evitam águas muito quentes, e a costa da Califórnia, até a baía de Monterey, torna-se um refúgio ideal durante esses eventos climáticos.
Não há motivo para alarme. Embora mais tubarões possam ser avistados, pesquisadores e dados históricos confirmam que o risco de ataques a humanos continua sendo muito baixo. As autoridades e cientistas monitoram continuamente o comportamento dos animais.
O El Niño de 2026 está alterando o comportamento da vida marinha, e a maior presença de tubarões-brancos na Califórnia é uma consequência direta do aquecimento do Pacífico. Trata-se de uma demonstração clara de como os ecossistemas respondem às mudanças climáticas. Para os frequentadores de praias, a principal mensagem dos cientistas é de que a observação pode aumentar, mas o risco real de um encontro perigoso permanece mínimo.
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