Conheça a história de Francielly Barbosa, a jovem cientista que transformou o caroço de açaí em tijolos sustentáveis e ganhou mais de 20 prêmios com a ideia.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma jovem cientista de Moju, no Pará, desenvolveu uma solução inovadora para um grande problema ambiental em sua região: um tijolo sustentável feito a partir do caroço de açaí. Francielly Rodrigues Barbosa iniciou o projeto ainda no ensino médio e já coleciona mais de 20 prêmios nacionais e internacionais pela criação, que transforma lixo em material de construção de baixo custo. Atualizado em 14 de julho de 2026.
O estado do Pará é responsável por aproximadamente 90% de todo o açaí consumido no mundo. No entanto, apenas 4% do fruto é de fato aproveitado, segundo a Revista Galileu. O restante, principalmente o caroço, é descartado. Apenas na cidade de Moju, são cerca de 16 toneladas de caroços descartadas diariamente, conforme relatou a própria inventora em entrevista.
Esse descarte massivo gera sérios problemas ambientais. O caroço do açaí contém lignina, uma substância que retarda sua decomposição e impede o ataque de fungos. De acordo com Francielly, isso causa mau cheiro, produção de chorume e a liberação de gás metano, um potente gás de efeito estufa.
A inspiração para o projeto surgiu quando uma professora comentou sobre problemas de odor e rachaduras em casas de um bairro local. Francielly descobriu que muitas residências foram construídas sobre terrenos usados para descarte de lixo, o que afetava a estrutura dos imóveis. "Comecei a pensar qual material de baixo custo e que não agride o meio ambiente eu poderia aproveitar para fazer a fundação de forma segura", contou à Revista Galileu.
O processo de criação do tijolo é artesanal e envolve a comunidade:
O resultado é um material construtivo que, segundo Francielly, funciona como uma "argila modificada", podendo ser moldado não apenas como tijolo, mas também como telha, concreto ou argamassa, dependendo da proporção dos componentes.
A inovação rendeu a Francielly mais de 20 prêmios em feiras de ciências, incluindo dez conquistas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). Uma das premiações foi uma viagem para conhecer a Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. O projeto também foi premiado no 4º Prêmio de Design Instituto Tomie Ohtake Leroy Merlin, o que levou à criação da iniciativa "Casa de Açaí".
Para validar a resistência do material, a jovem cientista, que hoje cursa Engenharia de Produção na Universidade Federal do Pará (UFPA), firmou uma parceria com um laboratório da Universidade de São Paulo (USP) para realizar testes e dar entrada no pedido de patente.
O tijolo sustentável foi criado pela jovem cientista Francielly Rodrigues Barbosa, da cidade de Moju, no Pará. Ela iniciou o projeto quando estava no primeiro ano do ensino médio em uma escola pública.
O processo consiste em secar, carbonizar e triturar os caroços de açaí. A massa obtida é então misturada com argila e carvão, sendo moldada para formar os tijolos sem a necessidade de fornos, o que reduz a emissão de CO₂.
O projeto oferece uma solução para o descarte de toneladas de caroços de açaí, reduzindo a poluição. Além disso, cria uma alternativa de material de construção de baixo custo que pode ajudar a construir moradias mais seguras em comunidades carentes, como as de Moju, onde muitas casas são erguidas em terrenos instáveis.
A iniciativa de Francielly Rodrigues Barbosa é um exemplo poderoso de como a ciência e a inovação podem surgir de qualquer lugar para resolver problemas locais com impacto global. Ao transformar um resíduo abundante em um recurso valioso, o tijolo de caroço de açaí não apenas promove a sustentabilidade ambiental, mas também oferece dignidade e segurança para comunidades, inspirando uma nova geração de cientistas no Brasil.
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