Governo de Mato Grosso abre consulta pública para criar o Refúgio de Vida Silvestre Onça-Pintada em Poconé. A unidade de 44,4 mil hectares, que abrange 12 fazendas, visa proteger o felino e impulsionar o ecoturismo. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Governo de Mato Grosso propôs a criação de um refúgio para onças-pintadas com 44.382 hectares no Pantanal, em Poconé. A iniciativa, que está em fase de consulta pública, visa proteger o maior felino das Américas e seu habitat, além de fortalecer o ecoturismo na região, que já movimenta mais de sete milhões de dólares anualmente. Atualizado em 28 de outubro de 2026.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) abriu uma consulta pública para a criação da unidade de conservação, localizada perto de Porto Jofre, no final da Estrada Parque Transpantaneira. A área de 44.382 hectares fica a 215 quilômetros de Cuiabá e abrange 12 imóveis rurais, incluindo as fazendas Guatós 2 e 3, Jofre Velho, Porto Jofre e São José Velho, conforme estudos técnicos divulgados pela Sema.
O território proposto está na planície alagável do Pantanal e é cortado pelos rios São Lourenço, Alegre e Carcará. Levantamentos de campo registraram 79 espécies de vertebrados — incluindo animais vulneráveis como a onça-pintada, o cervo-do-pantanal e a arara-azul-grande — e 135 espécies de plantas.
O projeto é fruto de uma parceria entre a Sema-MT e o Instituto Panthera Brasil, organização dedicada à conservação de grandes felinos. Um diferencial da proposta é o modelo de financiamento: a criação efetiva da unidade está condicionada à captação de recursos para a prévia indenização de proprietários e para a constituição de um fundo de gestão.
Segundo o diretor da Panthera Brasil, Ronaldo Gonçalvez Morato, 60% dos recursos necessários para a aquisição das áreas já estão garantidos através de um Fundo Fiduciário que capta doações nacionais e internacionais. O governador Mauro Mendes destacou que essa abordagem evita a criação de "parques de papel", sem regularização ou verba para gestão.
Se criado, o refúgio se conectará ao Parque Estadual Encontro das Águas e à Estrada Parque Transpantaneira, formando um corredor contínuo de áreas protegidas. Isso aumentaria a área de unidades de conservação na Bacia do Alto Paraguai em cerca de 7%, passando de 634,8 mil para 679,1 mil hectares.
A região de Porto Jofre é um dos principais destinos mundiais para o turismo de observação de onças-pintadas, uma atividade que, segundo o Jaguar ID Project, movimenta mais de sete milhões de dólares por ano. A secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que o projeto visa impulsionar esse setor, com planos de desenvolver um modelo de observação de fauna semelhante aos safáris africanos.
A criação do refúgio enfrenta desafios, como a presença de cerca de 58 búfalos, uma espécie exótica cuja permanência é vedada em unidades de conservação de proteção integral. Além disso, a legislação exige que o uso de propriedades particulares dentro do refúgio seja compatível com os objetivos de conservação; caso contrário, as áreas devem ser desapropriadas.
A sociedade pode participar do processo através de uma consulta pública online, aberta até 27 de novembro, ou em uma audiência pública presencial em Poconé. As contribuições serão analisadas pela equipe técnica da Sema antes da decisão final do governo.
O Refúgio de Vida Silvestre Onça-Pintada será localizado no município de Poconé, Mato Grosso, próximo a Porto Jofre, no final da Transpantaneira. A área proposta tem 44.382 hectares.
O principal objetivo é proteger os ecossistemas do Pantanal e sua fauna, com destaque para a onça-pintada. A iniciativa também busca fortalecer a pesquisa científica, o monitoramento da biodiversidade e impulsionar o ecoturismo de observação de animais.
A população pode enviar sugestões, críticas e manifestações até 27 de novembro através de um formulário eletrônico disponibilizado pela Sema-MT. Também está prevista uma audiência pública presencial em Poconé para discutir o projeto.
A proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre Onça-Pintada representa um passo estratégico para a conservação do Pantanal. Ao aliar proteção ambiental, um modelo de financiamento sustentável e o fortalecimento do ecoturismo, a iniciativa busca garantir um futuro seguro para a onça-pintada e, ao mesmo tempo, gerar desenvolvimento econômico para a região.
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