Em 25 anos, a família Locke transformou pasto em floresta na Mata Atlântica do RJ. Conheça a história da REGUA e como a anta voltou após um século de ausência.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma iniciativa familiar transformou uma antiga área de pastagem em Cachoeiras de Macacu (RJ) em um refúgio para a Mata Atlântica. Ao longo de 25 anos, a família Locke, por meio da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), plantou 840 mil árvores, restaurou 607 hectares de floresta e viabilizou o retorno da anta, um animal que estava extinto no estado há mais de um século. Atualizado em 29 de setembro de 2026.
O projeto começou oficialmente em 2001, quando Nicholas e Raquel Locke fundaram a Associação Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA). A propriedade, que pertence à família de Nicholas desde 1907, havia sido usada por décadas para agropecuária, o que levou à degradação de parte da mata nativa, conforme relatos da própria instituição. O trabalho de recuperação focou no plantio de espécies nativas para restaurar a vegetação original e conectar fragmentos de floresta que estavam isolados.
A iniciativa cresceu e hoje conta com um viveiro próprio capaz de produzir até 100 mil mudas por ano, de mais de 200 espécies diferentes. O esforço não apenas recuperou a cobertura vegetal, mas também restaurou áreas úmidas e alagados, essenciais para a biodiversidade local.
O animal que voltou a habitar a região após mais de 100 anos de ausência foi a anta-brasileira (Tapirus terrestris). A espécie estava considerada localmente extinta no estado do Rio de Janeiro, com o último registro oficial datando de 1914, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. A caça e a perda de habitat foram as principais causas de seu desaparecimento.
Não. O retorno da anta não aconteceu apenas porque a floresta cresceu. Foi resultado de um projeto de reintrodução planejado, iniciado em 2017 pela REGUA em parceria com o projeto Refauna e pesquisadores do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Os três primeiros animais foram soltos na reserva e, desde então, a população tem sido monitorada. A floresta restaurada criou as condições ideais de abrigo e alimento para que o projeto fosse bem-sucedido.
A anta é considerada uma "jardineira da floresta". Ao se alimentar de frutos, ela se desloca por grandes distâncias e dispersa as sementes por meio de suas fezes, ajudando a regenerar e a diversificar a vegetação. Em uma área em restauração, sua presença acelera o processo de recuperação natural. O sucesso do projeto é evidenciado pelo nascimento de filhotes em vida livre. Segundo a REGUA, em 2026, a população já era de aproximadamente 25 animais vivendo na reserva e em seu entorno.
A REGUA está localizada no município de Cachoeiras de Macacu, a cerca de 100 km da capital do Rio de Janeiro, na bacia do rio Guapiaçu.
O número consolidado e amplamente divulgado por parceiros como o World Land Trust é de 840 mil árvores. No entanto, relatórios mais recentes da própria REGUA, de 2026, indicam que o projeto já ultrapassou a marca de 1 milhão de mudas plantadas em mais de 700 hectares.
Não. Embora a iniciativa tenha partido da família, o trabalho é realizado pela ONG REGUA, que conta com uma equipe local, voluntários e o apoio de diversas organizações parceiras nacionais e internacionais, como o World Land Trust, Petrobras e WWF-Brasil.
A história da Reserva Ecológica de Guapiaçu demonstra como a dedicação de longo prazo pode reverter a degradação ambiental. O plantio de 840 mil árvores e a restauração de centenas de hectares não apenas trouxeram a floresta de volta, mas, com a ajuda de um projeto científico, permitiram o retorno de uma espécie-chave como a anta, provando que é possível reconstruir ecossistemas complexos e resilientes.
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