Com queda populacional de 43%, o tambaqui foi classificado como vulnerável. A medida pode levar à proibição total da pesca e gera debate sobre regras regionais.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais consumidos na Amazônia, entrou oficialmente para a lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil. A decisão, baseada em uma projeção de queda populacional de 43,4%, pode levar à proibição total da pesca da espécie em todo o território nacional a partir de 25 de outubro de 2026, caso um plano de recuperação não seja aprovado. Atualizado em 30 de julho de 2026.
A inclusão do tambaqui na lista nacional de espécies ameaçadas foi motivada por uma avaliação do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), coordenado pelo ICMBio. O estudo projetou uma redução de 43,4% na população do peixe ao longo de três gerações, classificando-o como "vulnerável" devido à forte pressão da pesca em seu habitat natural, principalmente nas várzeas do rio Amazonas e seus afluentes, conforme detalhado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
A entrada na lista não significa uma proibição imediata. Uma portaria do MMA estabeleceu um prazo de 180 dias, que se encerra em 25 de outubro, para que especialistas, gestores e pescadores aprovem um plano de recuperação populacional. Se o plano não for finalizado e aprovado a tempo, a pesca do tambaqui poderá ser suspensa em todo o país. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) já apresentou um rascunho do plano em junho, que está em fase de coleta de contribuições técnicas.
A decisão de aplicar uma regra única para todo o Brasil gerou controvérsia. Pescadores artesanais e pesquisadores argumentam que a situação dos estoques de tambaqui varia drasticamente entre as regiões da bacia amazônica. Igor Hister Lourenço, do Instituto Mamirauá, aponta que, enquanto áreas como o rio Madeira registraram o desaparecimento da espécie no passado, outras mantêm estoques abundantes. Críticos também apontam uma falha na avaliação de risco do ICMBio, que reconhece ter usado dados de desembarque pesqueiro cobrindo apenas 61% da área de ocorrência do peixe, excluindo unidades de conservação e terras indígenas, onde o risco de extinção seria baixo.
O período de defeso é uma proibição temporária e anual da pesca para garantir a reprodução de certas espécies. No Amazonas, por exemplo, a pesca do tambaqui é proibida entre 15 de novembro e 31 de março. Já a inclusão na lista de espécies ameaçadas é um status permanente que indica um risco de desaparecimento a longo prazo e pode levar a restrições mais severas, como uma proibição contínua.
A lista nacional oficial de espécies da fauna aquática ameaçadas de extinção, atualizada em abril, detalha um total de 490 espécies, incluindo peixes e invertebrados. Elas são classificadas em três categorias de risco: Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), categoria na qual o tambaqui foi incluído.
Sim, mas a situação é específica. O pacu é uma das espécies que entram no período de defeso em estados como o Amazonas. Além disso, a espécie pacu-prata (Mylossoma acanthogaster) também foi incluída na nova lista de fauna ameaçada com a classificação "Vulnerável".
A classificação do tambaqui como espécie vulnerável acende um alerta sobre a sustentabilidade da pesca na Amazônia. Enquanto o prazo para a criação de um plano de recuperação avança, o debate entre a necessidade de uma proteção nacional e a implementação de regras regionais mais flexíveis se intensifica, colocando em jogo o futuro de um recurso vital para a economia e a cultura da região.
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