O peixe-leão, espécie venenosa e sem predadores naturais, já se espalha pelo Nordeste e ameaça chegar ao Sudeste. Entenda os perigos para o ecossistema e o que fazer se encontrar um.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O peixe-leão (Pterois volitans), uma espécie invasora e venenosa, está se expandindo rapidamente pelo litoral brasileiro e preocupa especialistas. Com um apetite voraz, capaz de consumir até 20 peixes em apenas 30 minutos, o animal já dominou áreas do Nordeste e, segundo projeções, está a caminho da região Sudeste. Atualizado em 9 de novembro de 2026.
Nativo dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão não possui predadores naturais no Atlântico, o que permite sua proliferação descontrolada. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), seu impacto é devastador: um único indivíduo pode devorar 20 peixes e crustáceos em meia hora, competindo diretamente com espécies nativas e causando um grave desequilíbrio ecológico.
Além de seu apetite, a capacidade de reprodução é alarmante. Uma fêmea pode colocar até 30 mil ovos de uma vez, que eclodem em cerca de 26 dias, conforme aponta o portal Terra. Essa combinação de voracidade e reprodução acelerada o torna uma das espécies invasoras mais preocupantes na costa brasileira.
Os primeiros registros isolados do peixe-leão no Brasil ocorreram em Arraial do Cabo (RJ) entre 2014 e 2015. No entanto, a invasão foi confirmada em 2020, quando a espécie foi encontrada na foz do Rio Amazonas, superando a barreira de água doce que se acreditava ser um impeditivo natural. Desde então, o avanço tem sido rápido.
Até 2024, o peixe-leão já havia ocupado mais de 4 mil quilômetros da costa e 18 unidades de conservação marinhas, principalmente no Nordeste. Com registros recentes no sul da Bahia, especialistas alertam que sua chegada ao Sudeste é iminente. "O próximo passo é tomar as águas do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Quando isso acontecer, vai ser o caos", alertou Marcelo Soares, oceanógrafo do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), em entrevista ao jornal O Globo.
O peixe-leão possui 18 espinhos venenosos distribuídos em suas nadadeiras. O contato com eles pode causar acidentes graves. A toxina liberada provoca dor intensa e imediata, inchaço, vermelhidão e náuseas. Em casos mais severos, os sintomas podem evoluir para febre, vômitos, convulsões e até paradas cardíacas, segundo o G1. É importante ressaltar que os espinhos mantêm a toxina mesmo após a morte do animal.
Autoridades ambientais reforçam a importância de seguir orientações específicas para evitar acidentes e ajudar no controle da espécie.
A recomendação é clara: não toque, não manipule e não tente capturar o animal. Mantenha distância e comunique imediatamente o órgão ambiental local ou o Ibama, informando a data e o local exato do avistamento.
Se for ferido por um dos espinhos, a orientação é mergulhar a área atingida em água quente, na temperatura máxima tolerável (entre 40°C e 45°C), por 30 a 40 minutos para aliviar a dor. Procure atendimento médico imediatamente e informe que o acidente foi com um peixe-leão.
Sim. A carne do peixe-leão não é venenosa e seu consumo é inclusive incentivado como uma forma de controle populacional. No entanto, é fundamental que os 18 espinhos venenosos sejam removidos com extremo cuidado por alguém treinado. A Secretaria do Meio Ambiente da Bahia contraindica o consumo da carne crua.
A espécie é originária da região indo-pacífica. A principal hipótese para sua chegada ao Oceano Atlântico é que exemplares mantidos em aquários na Flórida (EUA) tenham escapado ou sido soltos no mar. De lá, as larvas se dispersaram pelas correntes marítimas, chegando ao Caribe e, posteriormente, à costa brasileira.
O avanço do peixe-leão representa uma ameaça crítica à biodiversidade marinha do Brasil e à segurança de banhistas, mergulhadores e pescadores. A colaboração da população, reportando avistamentos e seguindo as orientações de segurança, é fundamental para que as autoridades possam monitorar e tentar controlar a expansão desta espécie invasora antes que os danos se tornem irreversíveis, especialmente com a iminente chegada ao litoral Sudeste.
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