O tambaqui, peixe símbolo da Amazônia, foi classificado como vulnerável pelo governo. Saiba por que a espécie está em risco e o que pode acontecer com a pesca.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais simbólicos e consumidos da Amazônia, foi oficialmente incluído na lista de espécies ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Atualizado em 12 de agosto de 2026. A classificação como "Vulnerável" acende um alerta sobre a queda de suas populações naturais e pode levar à proibição da pesca em todo o Brasil a partir de 25 de outubro de 2026, caso um plano de recuperação não seja aprovado.
A decisão, formalizada pela Portaria GM/MMA nº 1.667/2026, foi baseada em uma avaliação técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Estudos projetaram uma redução populacional de 43,4% ao longo de três gerações, considerando que o tempo geracional da espécie é de 22 anos, conforme aponta o G1. A principal causa para o declínio é a intensa pressão da pesca sobre os estoques selvagens nas várzeas do rio Amazonas e seus afluentes.
Segundo o Portal do Amazonas, dados históricos já indicavam um cenário preocupante: o volume de tambaquis desembarcados no porto de Manaus caiu 90% entre 1976 e 1996, mesmo com o esforço de pesca quadruplicando no mesmo período.
A inclusão na lista não significa uma proibição imediata. O governo estabeleceu um prazo de 180 dias, que se encerra em 25 de outubro de 2026, para a elaboração e aprovação de um plano de recuperação da espécie. Se o plano não for concluído a tempo, a pesca do tambaqui poderá ser suspensa em todo o território nacional, de acordo com a Revista Amazônia.
A medida gera grande preocupação entre pescadores artesanais e comunidades ribeirinhas, que dependem do recurso para sua subsistência. Representantes do setor temem que uma proibição generalizada afete milhares de famílias e não diferencie a pesca de pequena escala da pesca industrial, como relatado pelo portal Agro em Campo.
Pesquisadores e especialistas apontam que a decisão foi tomada sem uma consulta prévia às comunidades e com base em dados considerados incompletos. O próprio ICMBio reconhece que sua análise cobriu principalmente áreas não protegidas, que correspondem a 61% da área de ocorrência do tambaqui, deixando de fora Unidades de Conservação e Terras Indígenas (39%), onde o risco de extinção seria menor, segundo o site Juruá em Tempo.
O biólogo Edinbergh Caldas de Oliveira, em entrevista ao Voz do Norte, defendeu cautela, afirmando que faltam levantamentos abrangentes sobre os estoques em toda a bacia amazônica. A complexidade da região, com realidades distintas, torna uma regra uniforme potencialmente injusta e ineficaz.
Não. A inclusão na lista de espécies ameaçadas é um alerta. A pesca poderá ser suspensa a partir de 25 de outubro de 2026 apenas se um plano de recuperação da espécie não for aprovado até essa data.
O tambaqui foi classificado como "Vulnerável" (VU). De acordo com os critérios do ICMBio, isso significa que a espécie enfrenta um risco alto de extinção na natureza no futuro.
As normas do plano de recuperação ainda não foram detalhadas, mas o foco da medida é proteger as populações selvagens. A piscicultura tem ajudado a abastecer o mercado, mas especialistas alertam que ela não substitui a necessidade de conservar os ecossistemas naturais, conforme aponta o Portal do Amazonas.
A classificação do tambaqui como espécie vulnerável coloca em evidência a pressão sobre os recursos pesqueiros da Amazônia. Enquanto o prazo para a criação de um plano de recuperação avança, o debate entre governo, pesquisadores e comunidades locais se intensifica, buscando um equilíbrio entre a conservação ambiental e a garantia da subsistência de milhares de pessoas que dependem do "gigante dos rios".
Conheça a história de Richart Sowa, que construiu a Joyxee Island no México com garrafas recicladas, criando uma casa autossuficiente com jardins e mangues.
Conheça a história da Mymba Kuéra, a monumental operação que salvou quase 39 mil animais durante a construção da usina de Itaipu em 1982. Veja como foi.
Localizado em Chapada dos Guimarães (MT), o primeiro santuário de elefantes da América Latina resgata animais de cativeiro. Saiba como funciona o projeto.
Dados da NASA, NOAA e Copernicus confirmam que o buraco sobre a Antártida teve tamanho e duração reduzidos, um forte sinal da recuperação do planeta. Entenda.