Uma ilha de 50 mil m² submersa pelo mar nas Ilhas Salomão agora abriga uma escultura. A obra de Jason deCaires Taylor serve de memorial e se transforma em um recife vivo. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Ilha Kale, com quase 50 mil metros quadrados nas Ilhas Salomão, desapareceu completamente sob o Oceano Pacífico em 2016 devido à elevação do nível do mar. Uma década depois, o artista Jason deCaires Taylor instalou no local a escultura "The Solomon Siren", uma obra que serve como memorial e se transforma em um recife artificial para a vida marinha. Atualizado em 2 de agosto de 2026.
A Ilha Kale, um território de 50.000 metros quadrados no arquipélago das Ilhas Salomão, foi uma das primeiras ilhas documentadas no mundo a ser completamente perdida para o aumento do nível do mar, conforme relatado pela Smithsonian Magazine. Conhecida por suas praias de areia branca e florestas, a ilha foi oficialmente submersa em 2016, forçando a comunidade local a se deslocar. Segundo dados de 2023 citados pelo The Economic Times, mais de 26.000 pessoas em todo o arquipélago tiveram que se realocar desde 2008 devido à erosão costeira e eventos climáticos extremos.
Para marcar os dez anos do desaparecimento da ilha, o artista britânico Jason deCaires Taylor, conhecido por suas obras subaquáticas que se integram à natureza, criou "The Solomon Siren". A peça não é apenas um monumento à perda, mas também um projeto de regeneração ecológica.
A escultura em tamanho real é modelada na ativista climática Gladys Habu Bartlett, que cresceu na região e testemunhou a perda de sua terra ancestral. A obra retrata Bartlett apoiada em uma estrutura em forma de árvore, simbolizando a rica vegetação que existia em Kale, de acordo com a Revista Galileu. A peça ancora a perda ambiental em uma história humana e familiar.
Feita com cimento de pH neutro e biochar, um material poroso rico em carbono, a escultura foi projetada para incentivar a colonização por corais, algas e outros invertebrados marinhos. Com o tempo, a obra de arte se transformará em um recife artificial vivo. Os galhos da árvore também servem como local de descanso para aves marinhas, integrando a escultura ao ecossistema local tanto debaixo d'água quanto na superfície, como detalha o My Modern Met.
Uma das características mais impactantes da obra são os marcadores gravados que indicam o nível do mar em diferentes anos: 2006, 2016 e 2026. A escultura também inclui projeções para 2036 e 2046, baseadas em modelos climáticos, servindo como um alerta visual e urgente sobre o futuro das zonas costeiras em todo o mundo. A instalação ocorre em um momento em que um relatório da ONU aponta que o nível do mar global está subindo ao dobro da taxa de uma década atrás, conforme mencionado pela Smithsonian Magazine.
A Ilha Kale estava localizada na Província de Isabel, no arquipélago das Ilhas Salomão, no Oceano Pacífico. A região é particularmente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas.
Jason deCaires Taylor é um escultor britânico e ativista ambiental renomado por criar museus e parques de esculturas subaquáticas. Suas obras são projetadas para se transformarem em recifes de corais artificiais, promovendo a vida marinha e aumentando a conscientização sobre a degradação dos oceanos.
A obra faz parte da série "Siren" (Sereia) do artista. Assim como as sereias míticas que alertavam os marinheiros sobre perigos ocultos, a escultura serve como um chamado de alerta sobre a crise climática e a perda de territórios costeiros, conforme explicado em um comunicado do artista citado pelo The Economic Times.
O desaparecimento da Ilha Kale é um registro concreto dos efeitos da crise climática. A escultura "The Solomon Siren" transforma essa perda em um poderoso memorial que não apenas lembra o passado, mas também age no presente, criando um novo habitat. A obra de Jason deCaires Taylor é um símbolo de resiliência e um alerta para a necessidade de ações urgentes para proteger as comunidades costeiras em todo o mundo.
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