A Ilha Kale, nas Ilhas Salomão, foi submersa pelo mar em 2016. Dez anos depois, a escultura 'Sereia de Salomão' marca o local. Entenda o caso.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. A Ilha Kale, um território de aproximadamente 50.000 m² nas Ilhas Salomão, desapareceu completamente sob as águas do Oceano Pacífico. Confirmada como submersa em 2016 devido ao aumento do nível do mar, a ilha deu lugar a uma poderosa obra de arte uma década depois: a escultura 'A Sereia de Salomão', que serve como um memorial e um futuro recife para a vida marinha.
Localizada na província de Isabel, nas Ilhas Salomão, Kale era uma ilha com praias de areia branca e vegetação exuberante, parte importante da herança cultural da região. O processo de submersão foi gradual, com as marés começando a inundar a ilha de forma alarmante a partir de 2006.
Um estudo que analisou imagens de satélite entre 1947 e 2014 confirmou em 2016 que cinco ilhas desabitadas do arquipélago, incluindo Kale, haviam sido completamente varridas do mapa pela erosão e pela elevação das águas. A taxa de aumento do nível do mar na região norte das Ilhas Salomão chegou a ser de sete a dez milímetros anuais nas últimas duas décadas, um ritmo que supera significativamente a média global de três milímetros por ano.
Dez anos após a confirmação do desaparecimento, o artista britânico Jason deCaires Taylor instalou a escultura 'A Sereia de Salomão' (The Solomon Siren) na zona de maré onde a ilha existia. A obra é um alerta sobre os impactos tangíveis das mudanças climáticas.
A peça retrata em tamanho real a ativista climática local Gladys Habu Bartlett, cuja família foi forçada a deixar a ilha ancestral. Ela está apoiada em uma estrutura que representa uma árvore, simbolizando os recursos naturais perdidos. Feita de cimento de pH neutro e biochar, a escultura foi projetada para ser colonizada por algas, corais e outras formas de vida marinha, transformando-se em um recife artificial. Suas estruturas também servem de pouso para aves marinhas.
As Ilhas Salomão são um país insular localizado na Melanésia, no Oceano Pacífico, a leste da Papua-Nova Guiné. A nação é composta por um arquipélago de quase mil ilhas e obteve sua independência do Reino Unido em 1978.
As datas gravadas na obra marcam a linha do tempo da ilha: 2006, quando as inundações se intensificaram; 2016, quando a submersão foi confirmada; e 2026, ano da instalação. Projeções para 2036 e 2046 também foram incluídas como um alerta sobre o avanço contínuo do mar.
Gladys Habu Bartlett é uma ativista climática das Ilhas Salomão. Sua família é originária da Ilha Kale, e ela se tornou uma voz internacional na conscientização sobre os impactos das mudanças climáticas em comunidades insulares do Pacífico.
O caso da Ilha Kale e a instalação da 'Sereia de Salomão' transformam uma estatística sobre a crise climática em uma história humana e tangível. A obra não apenas homenageia uma terra perdida, mas também funciona como um chamado à ação e um símbolo de que, mesmo em meio à perda, é possível criar novas formas de vida e resiliência.
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