Cientistas da Unesp identificam as espécies Brotheas cernii e Cayooca puchus em Mucajaí. Descoberta reforça biodiversidade e abre caminho para novos remédios.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Duas novas espécies de escorpiões, batizadas de Brotheas cernii e Cayooca puchus, foram descobertas por pesquisadores na Amazônia, em uma área remota de Roraima. A identificação, resultado de dez anos de estudos, reforça a imensa biodiversidade da região e abre caminhos para a pesquisa de novos medicamentos a partir de seus venenos. Atualizado em 25 de agosto de 2026.
As duas espécies foram encontradas nas proximidades da Cachoeira do Evandro, no município de Mucajaí, a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, capital de Roraima. Segundo os pesquisadores, os animais habitam um ambiente peculiar conhecido como inselberg, que são formações rochosas isoladas que se elevam em meio à floresta, funcionando como "ilhas ecológicas".
A pesquisa, liderada pela professora Manuela Berto Pucca da Universidade Estadual Paulista (Unesp), começou com expedições em 2016. A identificação foi possível através de buscas noturnas, utilizando lanternas de luz ultravioleta (UV) que fazem os escorpiões ficarem fluorescentes, facilitando sua localização. A descoberta foi publicada na revista científica internacional Diversity.
Os pesquisadores notaram que os exemplares coletados possuíam características incomuns na coloração, tamanho e granulação das pinças. Após análises detalhadas, confirmou-se que eram espécies inéditas.
Ambas as espécies são extremamente sensíveis às condições ambientais e altamente adaptadas ao seu habitat, o que dificulta sua sobrevivência em cativeiro para estudos.
A descoberta vai além da catalogação biológica. A equipe de Manuela Pucca, especialista em bioprospecção, já iniciou a análise das moléculas presentes nos venenos. O objetivo é investigar o potencial para o desenvolvimento de novos fármacos, como antimicrobianos (antibióticos) e anti-inflamatórios.
Os venenos de escorpiões são considerados "bibliotecas naturais de moléculas bioativas" e podem inspirar a criação de medicamentos e até bioinseticidas mais seguros. No entanto, a pesquisadora ressalta que o desenvolvimento de um medicamento a partir dessas descobertas é um processo longo, podendo levar de 20 a 30 anos.
As duas novas espécies descobertas em Roraima foram nomeadas cientificamente como Brotheas cernii e Cayooca puchus.
Eles foram localizados em formações rochosas isoladas (inselbergs) perto da Cachoeira do Evandro, no município de Mucajaí, em Roraima, na Amazônia brasileira.
O foco dos estudos é o potencial farmacológico das moléculas do veneno. Embora sejam venenosos, as pesquisas se concentram em suas propriedades para criar medicamentos, e não no risco imediato para pessoas na região, que é uma área de ecoturismo.
A descoberta das espécies Brotheas cernii e Cayooca puchus em Roraima é um marco que evidencia o quão inexplorada a biodiversidade amazônica ainda é. Além de ampliar o conhecimento científico, o achado abre uma nova fronteira para a bioprospecção, com a esperança de que os venenos desses animais possam, no futuro, levar ao desenvolvimento de medicamentos essenciais para a saúde humana.
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