Saiba como agir em avistamentos de onças-pintadas. Documento inédito no Brasil estabelece quatro níveis de risco e protocolos para evitar conflitos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um documento técnico elaborado por pesquisadores e especialistas de diversas instituições brasileiras estabeleceu as primeiras diretrizes do país para mitigar conflitos entre humanos e onças-pintadas. Atualizado em 24 de setembro de 2026, o material define quatro níveis de risco para encontros com o felino e orienta sobre como agir em cada situação, desde avistamentos esporádicos até ataques.
A iniciativa, que começou a ser discutida durante um workshop internacional em Mato Grosso do Sul em agosto de 2025, visa padronizar as ações de órgãos ambientais, gestores públicos e da sociedade civil, substituindo respostas reativas por um manejo preventivo e baseado em ciência, conforme detalhado por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que participaram da elaboração.
Um dos pontos centrais das diretrizes é a classificação das ocorrências para evitar pânico e respostas desproporcionais. Segundo a publicação, cada situação exige uma ação específica, baseada em evidências verificáveis. Os níveis são:
O documento reforça orientações de segurança para quem vive ou trabalha em áreas com presença do felino. A principal recomendação em um encontro próximo é não correr, pois isso pode instigar um comportamento de perseguição. As ações corretas incluem:
Em qualquer situação de risco, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Militar Ambiental (190).
As diretrizes também criaram um protocolo específico para ataques a cães e gatos, que podem gerar grande impacto emocional nos tutores e levar à perseguição ilegal de onças. Para reduzir os riscos, o documento recomenda que os animais domésticos permaneçam em abrigos seguros e fechados durante a noite, período de maior atividade dos felinos. Também é crucial não deixar lixo orgânico ou restos de comida perto das residências, pois isso atrai presas e, consequentemente, os predadores. Em caso de ataque, é preciso registrar a ocorrência formalmente e solicitar uma vistoria técnica para confirmar se a predação foi de fato causada por uma onça.
É um documento técnico nacional, elaborado por especialistas, que padroniza como prevenir e responder a conflitos com onças-pintadas. Ele classifica os encontros em quatro níveis de risco e estabelece protocolos de ação para cada um.
Não. Segundo especialistas, o ser humano não faz parte da dieta natural da onça-pintada, e ataques não provocados são extremamente raros. As diretrizes ajudam a diferenciar um avistamento esporádico (baixo risco) de uma situação que exige atenção, como a presença recorrente do animal perto de casas.
Não. A principal orientação é nunca correr ou virar as costas, pois isso pode ser interpretado pelo animal como o comportamento de uma presa. A recomendação é manter a calma, fazer-se parecer maior e recuar lentamente, sem perder o animal de vista.
As novas diretrizes representam um avanço significativo para a coexistência entre pessoas e onças-pintadas no Brasil. Ao estabelecer uma abordagem baseada em ciência e prevenção, o documento oferece ferramentas para que gestores, produtores rurais e comunidades possam administrar os riscos de forma segura e eficaz, protegendo tanto a vida humana quanto a do maior felino das Américas.
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