A conservacionista Farina Othman luta para proteger os elefantes de Bornéu, ameaçados pela expansão do óleo de palma na Malásia. Conheça seu trabalho.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A conservacionista Farina Othman, conhecida como a "encantadora de elefantes de Bornéu", lidera uma força-tarefa crucial para salvar a espécie da extinção na Malásia. Nos últimos 40 anos, os elefantes de Bornéu perderam mais de 60% de seu habitat em Sabah, no norte da ilha, principalmente devido à exploração madeireira e à expansão do cultivo de óleo de palma, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Atualizado em 22 de setembro de 2026.
Com a fragmentação de seu habitat, o conflito entre elefantes e comunidades locais tornou-se inevitável. A planície de Lower Kinabatangan, lar de aproximadamente 160 dos cerca de 1.000 elefantes de Bornéu restantes, teve seu espaço para os animais reduzido pela metade. Quando os elefantes, que podem pesar até cinco toneladas, invadem plantações ou vilarejos em busca de alimento, o medo e a animosidade crescem entre os moradores.
Em um incidente recente, uma manada de 20 elefantes invadiu pequenas plantações e três aldeias, aterrorizando os residentes e gerando pedidos por medidas de dissuasão mais eficazes, como cercas elétricas.
Farina e sua equipe de 17 conservacionistas da organização Seratu Aatai ("Solidariedade" na língua local) priorizam a coexistência pacífica. O trabalho deles se concentra em aumentar a tolerância das pessoas e encontrar soluções de longo prazo para garantir o espaço dos elefantes.
Uma das principais ferramentas da equipe é o monitoramento via GPS. Os animais são tranquilizados temporariamente para a instalação de uma coleira de rastreamento. Isso permite que a equipe alerte os moradores caso uma manada se aproxime de áreas habitadas, além de coletar dados vitais sobre seus movimentos.
A visão de Farina é criar "corredores de elefantes", caminhos seguros que conectem fragmentos de floresta através das vastas plantações de palma. Para isso, ela busca convencer os produtores de que os elefantes são uma "realidade ecológica, e não uma perturbação ocasional".
O grupo também desenvolve programas de conscientização em escolas e designou "guardiões comunitários da vida selvagem", que ajudam a guiar os elefantes para longe das vilas de forma segura. "Aprendemos maneiras seguras de afastar os elefantes quando eles se aproximam demais, sem machucá-los", relatou Firah Kazenn, uma moradora local.
A principal ameaça é a perda e fragmentação de habitat devido ao desmatamento para plantações de óleo de palma. Isso leva a conflitos com humanos, envenenamentos e também à caça ilegal por seu marfim, com casos brutais de decapitação registrados na região de Sabah.
Estima-se que restem apenas cerca de 1.000 a 1.500 elefantes de Bornéu na natureza, a maioria vivendo no estado de Sabah, na Malásia.
O elefante-pigmeu-de-bornéu (Elephas maximus borneensis) é a menor subespécie do elefante-asiático. Apesar do apelido "pigmeu", eles ainda são os maiores animais de Bornéu, podendo atingir até 3 metros de altura.
O trabalho de Farina Othman vai além da tecnologia e da ciência; é uma busca por uma mudança cultural. Ela espera que os locais deixem de usar a palavra "halau" (afugentar) para se referir aos elefantes e passem a "acompanhar" ou "escoltar" os animais para fora de suas áreas. A criação de uma coexistência sustentável é a única esperança para o futuro dos gigantes de Bornéu.
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