Animal de 54 anos viaja mais de 1.600 km de Sorocaba (SP) a Chapada dos Guimarães (MT). Veja detalhes da operação e da parada para lanche e descanso.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O elefante Sandro, de 54 anos, fez uma parada técnica em Campo Grande (MS) nesta quinta-feira (17) durante sua viagem de mais de 1.600 quilômetros do zoológico de Sorocaba (SP) para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT). A pausa foi planejada para alimentação, descanso e manutenção dos equipamentos. Atualizado em 17 de setembro de 2026.
A parada em um posto de combustíveis na BR-163, em Campo Grande, foi um ponto crucial na longa jornada de Sandro. Durante a pausa, o elefante recebeu um lanche de frutas e capim, além de hidratação reforçada, segundo a equipe que o acompanha. O biólogo Daniel Moura, diretor do Santuário de Elefantes Brasil, explicou que as paradas ocorrem a cada três ou quatro horas para garantir o bem-estar do animal, limpar a caixa de transporte e verificar os equipamentos.
A operação de transporte envolve uma equipe de 13 pessoas e um comboio com uma carreta de 26 metros, uma van e um carro de apoio. O compartimento onde Sandro viaja é climatizado com dois aparelhos de ar-condicionado para manter a temperatura adequada, conforme informado pelo G1.
A transferência de Sandro encerra um capítulo de mais de 40 anos no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, onde viveu desde 1982. A viagem, que deve durar cerca de dois dias e meio, é resultado de uma longa disputa judicial que determinou a mudança para o santuário em Mato Grosso.
Antes de iniciar o trajeto, Sandro passou por um período de adaptação à caixa de transporte. A estrutura de 10 toneladas foi instalada em seu recinto, e o elefante entrou voluntariamente no dia 12 de setembro, um passo fundamental para o sucesso da operação. Todo o percurso é acompanhado pela Polícia Rodoviária Federal para garantir a segurança na rodovia.
Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro chegou ao Brasil para viver em um circo. Em janeiro de 1982, foi transferido para o zoológico de Sorocaba. Na época, era um adolescente brincalhão e ganhou o apelido de "Trombadinha" por empurrar as pessoas com a tromba, como relatou seu antigo tratador, Lucílio Alves de Araújo.
Durante 20 anos, ele conviveu com a elefanta Haisa. Após a morte dela em 2020, Sandro passou a viver sozinho, o que intensificou o debate sobre seu futuro e culminou na decisão judicial por sua transferência para um ambiente mais amplo e naturalizado.
A transferência foi determinada pela Justiça de São Paulo após uma perícia concluir que o recinto no zoológico de Sorocaba era insuficiente para garantir a qualidade de vida do animal. A decisão considerou que o Santuário de Elefantes Brasil oferece um espaço mais adequado às suas necessidades naturais.
Sandro viaja em uma caixa de transporte especial, climatizada e monitorada por câmeras. O comboio, escoltado pela PRF, faz paradas estratégicas a cada 3 ou 4 horas para alimentação, hidratação e checagem do bem-estar do animal por uma equipe de 13 profissionais.
No santuário em Chapada dos Guimarães (MT), Sandro terá um habitat de aproximadamente 40 mil metros quadrados com floresta e lagos. Ele ficará em uma área separada das seis fêmeas que vivem no local, mas poderá interagir com elas através de cercas, caso demonstre interesse.
A jornada do elefante Sandro representa a busca por melhores condições de vida para animais que passaram décadas em cativeiro. A parada em Campo Grande é um marco em sua longa viagem rumo a uma nova fase no Santuário de Elefantes Brasil, onde terá mais espaço e um ambiente que simula seu habitat natural.
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