Flórida usa coelhos robôs de US$ 4 mil para caçar pítons invasoras nos Everglades. Entenda como a tecnologia com calor e cheiro ajuda a proteger a fauna local.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Flórida está implementando uma solução tecnológica para combater uma de suas piores pragas ambientais: a píton-birmanesa. Coelhos-robôs, que imitam presas reais com calor, movimento e até cheiro, estão sendo espalhados pelo pântano dos Everglades para atrair e ajudar na captura das serpentes invasoras que já dizimaram a vida selvagem local. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Desenvolvidos em uma parceria entre o Distrito de Gestão de Água do Sul da Flórida e a Universidade da Flórida, os coelhos-robôs são iscas de alta tecnologia projetadas para enganar os predadores. Cada unidade, que custa cerca de US$ 4 mil (aproximadamente R$ 21 mil), é equipada com recursos avançados para simular um animal real.
As pítons-birmanesas não são nativas da Flórida. Elas foram introduzidas no ecossistema nas últimas décadas, principalmente após fugirem de cativeiros ou serem soltas ilegalmente por donos de animais exóticos. Sem predadores naturais na região, sua população explodiu, causando um desastre ecológico.
De acordo com o Parque Nacional de Everglades, as pítons já eliminaram cerca de 95% dos pequenos mamíferos, como guaxinins e gambás, e milhares de aves. O biólogo Mike Kirkland afirmou à Associated Press que o principal desafio é encontrá-las, pois são "muito bem camufladas". A capacidade reprodutiva agrava o problema: uma única fêmea pode botar entre 50 e 100 ovos por vez.
As pítons-birmanesas invasoras podem atingir até 5 metros de comprimento, conforme relatado pelo portal Terra, e são capazes de engolir presas grandes, como um cervo inteiro, de acordo com O Globo.
O projeto ainda está em fase experimental. A expectativa é que os robôs sejam uma alternativa mais eficiente e menos trabalhosa do que métodos anteriores, como o uso de coelhos vivos em gaiolas. Pesquisadores esperam obter dados sobre a eficácia do método em breve, como aponta a Época Negócios.
Desde o ano 2000, mais de 23 mil pítons já foram removidas da natureza na Flórida, segundo informações do portal Terra. Esforços contínuos, incluindo desafios de caça com prêmios em dinheiro, são promovidos para controlar a população da espécie invasora.
O uso de coelhos-robôs representa uma abordagem inovadora que une tecnologia e conservação para enfrentar um dos maiores desafios ambientais da Flórida. Embora a erradicação completa das pítons seja considerada improvável, a iniciativa busca mitigar o impacto devastador da espécie invasora e proteger o que resta da fauna nativa dos Everglades.
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