A chegada acidental da cobra-arbórea-marrom a Guam dizimou 10 espécies de aves, gerando 40 vezes mais aranhas e ameaçando a floresta local. Entenda o colapso.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A introdução acidental da cobra-arbórea-marrom (*Boiga irregularis*) na ilha de Guam, um território dos EUA no Pacífico, desencadeou um dos mais graves desastres ecológicos do planeta. Atualizado em 22 de junho de 2026, o cenário é alarmante: a espécie invasora eliminou quase toda a avifauna nativa, provocou uma explosão na população de aranhas e agora ameaça a própria existência das florestas locais.
A crise começou após a Segunda Guerra Mundial, quando a cobra-arbórea-marrom, nativa da Austrália e Papua Nova Guiné, chegou a Guam provavelmente a bordo de navios de carga militares. Sem predadores naturais na ilha, sua população explodiu, atingindo uma estimativa de dois milhões de indivíduos, conforme relatado por diversas fontes, incluindo a Jovem Pan e O Globo.
O impacto mais imediato foi sobre as aves. As cobras dizimaram 10 das 12 espécies de aves nativas da floresta. Esse desaparecimento criou um silêncio incomum na ilha, como descrito por pesquisadores ao Estadão, e gerou uma cascata de consequências.
Com o desaparecimento de seus predadores naturais, as populações de aranhas cresceram descontroladamente. Estudos indicam que Guam hoje tem uma densidade de aranhas até 40 vezes maior do que ilhas vizinhas, transformando a vegetação em um emaranhado de teias, segundo o Xataka. Além disso, a ausência das aves, que eram essenciais para a dispersão de sementes, está causando um colapso na regeneração da floresta. Cerca de 70% das espécies de árvores da ilha, que dependiam dos pássaros para se propagar, agora enfrentam dificuldades, o que pode alterar a estrutura da floresta de forma permanente.
A espécie invasora é a cobra-arbórea-marrom (*Boiga irregularis*), originária da Austrália e Papua Nova Guiné. Ela chegou acidentalmente à ilha após a Segunda Guerra Mundial e, sem predadores, sua população cresceu para cerca de dois milhões.
O aumento exponencial de aranhas é uma consequência direta da extinção das aves nativas. Sem os pássaros para predá-las, as aranhas prosperaram, resultando em uma densidade até 40 vezes maior em comparação com ilhas próximas, como aponta O Antagonista.
Sim. O governo dos Estados Unidos investe anualmente milhões de dólares em medidas de controle. As estratégias incluem o uso de cães farejadores para inspecionar cargas, a instalação de barreiras físicas e métodos experimentais, como a distribuição de iscas com paracetamol, uma substância letal para as serpentes.
O caso de Guam serve como um alerta contundente sobre os perigos das espécies invasoras. A chegada de um único animal desencadeou uma reação em cadeia que devastou a fauna nativa, alterou a flora e transformou completamente um ecossistema insular frágil. Os esforços de controle são contínuos, mas a recuperação do equilíbrio ecológico da ilha permanece um desafio monumental.
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