Moradores de Barequeçaba, em São Sebastião, se mobilizam para socorrer uma capivara machucada, mas esbarram na falta de órgãos especializados para o resgate. Entenda o impasse.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma capivara ferida tem sido vista há dias no Morro de Barequeçaba, em São Sebastião (SP), gerando uma grande mobilização de moradores que buscam, sem sucesso, um resgate especializado para o animal. O caso expõe uma grave lacuna na estrutura de atendimento à fauna silvestre na região do Litoral Norte. Atualizado em 12 de agosto de 2026.
Sensibilizados com o sofrimento do animal, os moradores acionaram diversos órgãos, como a Polícia Militar (190), o Corpo de Bombeiros (193), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o setor de Zoonoses. Conforme apurado pelo Tamoios News, a resposta foi quase sempre a mesma: a responsabilidade pelo resgate de animais silvestres seria da Polícia Militar Ambiental.
O setor de Zoonoses informou que seu serviço é voltado apenas para cães e gatos. Veterinários particulares da região, por sua vez, afirmaram não ter especialização em animais silvestres e orientaram a população a não se aproximar da capivara, para evitar riscos a ambos.
O principal obstáculo, no entanto, vai além da captura. Mesmo que a Polícia Militar Ambiental realize o resgate, não há uma estrutura especializada próxima para oferecer o tratamento veterinário necessário. Segundo o Tamoios News, as instituições de referência mais próximas estão a centenas de quilômetros de distância, como o Hospital Veterinário da USP, em São Paulo (cerca de 200 km), e o Instituto Gremar, no Guarujá (mais de 100 km).
Na própria região, institutos que poderiam ajudar, como o Profauna, em Ubatuba, estão com atividades interrompidas, enquanto o Instituto Argonauta é focado em fauna marinha. A situação revela uma contradição: a capivara é um animal protegido por lei, mas quando precisa de socorro, a estrutura pública é inexistente.
O caso de São Sebastião não é isolado e reflete um desafio nacional. Em Sertãozinho (SP), uma força-tarefa com bombeiros e secretarias municipais levou semanas para tentar capturar uma capivara ferida que sempre fugia para a água, conforme relatado pelo G1. Em Maricá (RJ), moradores também se mobilizaram por uma capivara ferida, possivelmente por arma de fogo, e ouviram dos órgãos oficiais que não havia equipamento ou local adequado para o resgate, segundo o Maricá Info.
A situação pode se agravar com a agressividade defensiva do animal. Em Campinas (SP), uma capivara ferida chegou a atacar um cachorro durante um passeio, de acordo com o TNOnline. O comportamento, segundo os bombeiros que a resgataram, foi uma reação causada pelos ferimentos.
A orientação de especialistas e órgãos como o Corpo de Bombeiros é não se aproximar ou tentar capturar o animal. O correto é acionar as autoridades competentes, como a Polícia Militar Ambiental ou o Corpo de Bombeiros (pelo telefone 193), e informar a localização exata do animal.
O resgate é complexo porque, mesmo feridas, as capivaras são ariscas e frequentemente fogem para a água ou matas fechadas ao perceberem a aproximação humana, como visto no caso de Sertãozinho. Além da dificuldade na captura, a principal barreira é a falta de centros de reabilitação especializados para receber e tratar animais silvestres de grande porte na maioria das regiões.
Enquanto os moradores de Barequeçaba continuam a busca por uma solução, a saga da capivara ferida destaca uma falha crítica nas políticas públicas de proteção à fauna. A legislação que protege os animais silvestres se mostra insuficiente quando não é acompanhada por uma infraestrutura adequada para garantir seu bem-estar e sobrevivência em situações de emergência.
Homem de 34 anos foi flagrado com quatro peixes da espécie pintado abaixo do tamanho mínimo permitido no Rio Aguapeí. Saiba mais sobre a legislação e as multas.
A história da baleia Sunset, resgatada após encalhar e que retornou anos depois com um filhote, inspira a conservação da espécie. Saiba mais sobre os desafios que as baleias-francas ainda enfrentam no litoral brasileiro.
Anestesista Ricardo Lima já catalogou mais de 200 espécies de aves em seu bairro e agora monitora um felino ameaçado. Veja como sua paixão inspira a conservação.
O Parque Estadual Carlos Botelho é um santuário para mais de 380 espécies de aves, incluindo a jacutinga. Descubra a importância deste refúgio na Mata Atlântica.