Mais de 200 mil barris de lixo nuclear despejados por décadas no Oceano Atlântico estão corroídos e vazando. Entenda os riscos da contaminação.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 14 de agosto de 2026. Uma expedição científica confirmou que parte dos mais de 200 mil barris de lixo radioativo, despejados por países europeus no Oceano Atlântico entre as décadas de 1940 e 1990, está em estado avançado de corrosão e vazando material contaminado no fundo do mar, a mais de 4.700 metros de profundidade.
A confirmação veio durante a segunda fase do projeto NODSSUM, realizada entre maio e junho de 2026. Pesquisadores a bordo do submarino tripulado Nautile realizaram 20 mergulhos e observaram diretamente os recipientes. As imagens revelaram barris com sinais intensos de deterioração, parcialmente enterrados no sedimento, com material visivelmente vazando e se espalhando pelo assoalho oceânico, conforme relatado por cientistas do projeto.
Análises preliminares feitas no local identificaram a presença de radionuclídeos (átomos radioativos) em concentrações acima do esperado para a região. Entre as substâncias detectadas estão o cobalto-60 e o nióbio-94, considerados marcadores importantes do lixo despejado, além de césio-137 e amerício-241. A equipe coletou 400 quilos de amostras para análises laboratoriais detalhadas.
Apesar do risco de contaminação, os cientistas observaram que a vida marinha se adaptou aos barris, que funcionam como recifes artificiais. Anêmonas, esponjas, caranguejos e outros organismos foram vistos crescendo sobre os recipientes. O principal temor é que esses organismos estejam absorvendo as substâncias radioativas. A análise das amostras coletadas buscará determinar se a contaminação já foi incorporada pela cadeia alimentar marinha.
Entre as décadas de 1940 e 1990, antes da proibição pela Convenção de Londres em 1993, o descarte no mar era uma prática comum para alguns países europeus. Acreditava-se que as planícies abissais eram ambientes isolados e "sem vida", ideais para o descarte de resíduos de baixa e média atividade radioativa.
O objetivo imediato do projeto NODSSUM não é remover os barris, mas sim mapear a área, avaliar o estado dos contêineres e entender a extensão da contaminação. Os próximos meses serão dedicados à análise laboratorial das amostras para determinar como os radionuclídeos se espalharam e se foram incorporados pelo ecossistema.
A confirmação do vazamento dos barris radioativos no Atlântico abre um novo capítulo na investigação de um legado tóxico de décadas. Enquanto a vida marinha demonstra uma inesperada resiliência ao colonizar as estruturas, a ciência corre contra o tempo para medir o real impacto da contaminação silenciosa que ocorre nas profundezas do oceano.
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