Duas baleias-jubarte surpreenderam cientistas ao cruzar oceanos em uma jornada de mais de 15 mil km entre o Brasil e a Austrália. Entenda o que essa migração recorde revela sobre os impactos das mudanças climáticas no comportamento da espécie.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 26 de setembro de 2026. Duas baleias-jubarte realizaram a maior migração já registrada para a espécie, percorrendo mais de 15 mil quilômetros entre áreas de reprodução no Brasil e na Austrália. O feito, considerado inédito pela ciência, acende um alerta sobre como as mudanças climáticas podem estar alterando o comportamento desses animais.
Pesquisadores documentaram, pela primeira vez, uma conexão direta entre populações de baleias-jubarte de lados opostos do planeta. O estudo, publicado na revista científica Royal Society Open Science, identificou dois casos extraordinários de deslocamento interoceânico.
A identificação dos animais só foi possível graças a uma técnica chamada fotoidentificação. Assim como as impressões digitais humanas, as baleias-jubarte possuem marcas, cicatrizes e padrões de pigmentação únicos na parte inferior de suas caudas (nadadeiras caudais). Comparando fotografias, os cientistas conseguem reconhecer indivíduos específicos ao longo do tempo e em diferentes lugares do mundo.
A pesquisa utilizou um banco de dados com quase 20 mil fotografias coletadas ao longo de quatro décadas. A colaboração internacional e a chamada "ciência cidadã", por meio de plataformas como a Happywhale que recebe fotos de turistas e observadores, foram fundamentais para a descoberta, segundo os pesquisadores.
Embora o fenômeno seja considerado extremamente raro — observado em apenas 0,01% dos animais monitorados —, cientistas investigam se as mudanças climáticas estão por trás desses deslocamentos. A principal hipótese é que o aquecimento dos oceanos esteja alterando a distribuição do krill, principal alimento das jubartes na Antártica.
Essa mudança pode forçar os animais a explorar novas áreas de alimentação e, consequentemente, adotar novas rotas migratórias. O estudo reforça a teoria da "Troca no Oceano Antártico", onde baleias de diferentes populações se encontram em áreas de alimentação e, em casos raros, retornam por rotas diferentes, estabelecendo-se em novas regiões reprodutivas.
A maior migração já documentada para uma baleia-jubarte é de aproximadamente 15.100 quilômetros, registrada entre o Banco de Abrolhos, no Brasil, e a costa de Hervey Bay, na Austrália.
As baleias-jubarte realizam migrações sazonais entre áreas de alimentação, localizadas em águas polares ricas em krill e peixes, e áreas de reprodução, em águas tropicais mais quentes, como o litoral brasileiro, onde acasalam e dão à luz seus filhotes.
Sim. O aquecimento dos oceanos pode alterar a distribuição de suas fontes de alimento, como o krill, e modificar a temperatura de áreas de reprodução. Como consequência, as baleias podem ser forçadas a adaptar suas rotas migratórias, como sugerem os deslocamentos recordes observados.
A travessia recorde das baleias-jubarte entre o Brasil e a Austrália não apenas redefine o que sabíamos sobre a capacidade de deslocamento da espécie, mas também serve como um importante alerta. O feito destaca a necessidade de cooperação internacional para a conservação de animais migratórios e reforça a urgência de compreender os impactos das mudanças ambientais nos oceanos.
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