O governo brasileiro, via ICMBio, exige a devolução de 26 ararinhas-azuis enviadas sem autorização para um zoológico indiano. Entenda a polêmica internacional.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O governo brasileiro, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reiterou o pedido de repatriação de 26 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) enviadas sem autorização para o zoológico Vantara, na Índia. A transferência, realizada em 2023 pela alemã Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), violou acordos internacionais que exigem consulta e aval do Brasil para a movimentação de espécies endêmicas. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Em fevereiro de 2023, a ACTP, então parceira do Brasil no programa de reintrodução da espécie, enviou 26 ararinhas-azuis e quatro araras-azuis-de-lear para o Greens Zoological Rescue and Rehabilitation Centre (GZRRC), agora chamado Vantara, na Índia. Segundo o ICMBio, a transação ocorreu sem o conhecimento ou a autorização das autoridades brasileiras, o que desrespeita a Notificação CITES 052/2001, que estabelece a necessidade de consulta ao país de origem.
Enquanto a ACTP e o zoológico indiano classificaram a operação como um "empréstimo" para um programa de reprodução, o ICMBio a considera uma "transação comercial". A Suprema Corte da Índia investigou o caso e não encontrou ilegalidades, mas o governo brasileiro sustenta que a falta de consulta prévia invalida o processo.
O zoológico Vantara foi fundado por Anant Ambani, filho do bilionário Mukesh Ambani, o homem mais rico da Índia. O centro, inaugurado oficialmente pelo primeiro-ministro Narendra Modi, abriga milhares de animais e é alvo de denúncias sobre a origem de seu plantel. Reportagens investigativas, como a do jornal alemão Süddeutsche Zeitung, levantaram suspeitas de que o fundador da ACTP, Martin Guth, estaria intermediando a compra de animais para o zoológico, o que ambas as partes negam.
Apesar das controvérsias, o Vantara iniciou conversas com o ICMBio para uma possível colaboração no programa de conservação, mas as negociações são preliminares e envolvem o Ministério do Meio Ambiente e o das Relações Exteriores.
O envio das aves para a Índia foi o estopim para o fim da parceria entre o ICMBio e a ACTP. O acordo de cooperação técnica, que permitiu o envio de 93 ararinhas ao Brasil para o projeto de reintrodução em Curaçá (BA), não foi renovado em 2024. A decisão foi tomada em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama, que consideraram o envio não autorizado uma quebra de confiança e um descumprimento dos compromissos firmados.
A crise se aprofundou com um surto de circovírus detectado nas aves do projeto em Curaçá, levando a um embate público entre a ACTP e o ICMBio sobre as medidas sanitárias e a responsabilidade pela contaminação.
O Brasil alega soberania sobre a espécie, que é endêmica da Caatinga. O ICMBio afirma que as aves devem compor o programa oficial de manejo populacional, coordenado pelo Estado brasileiro, e não um programa paralelo e desconectado dos esforços de reintrodução na natureza.
Foram enviadas 26 ararinhas-azuis e 4 araras-azuis-de-lear da Alemanha para o zoológico Vantara, na Índia, em fevereiro de 2023.
O zoológico Vantara afirma que as aves foram recebidas legalmente como um "empréstimo" para auxiliar no programa de reprodução e conservação da ACTP. A instituição expressou compromisso em colaborar com o Brasil no programa de reintrodução da espécie.
O governo brasileiro mantém a posição firme de que a repatriação das 26 ararinhas-azuis é um requisito fundamental para qualquer futura colaboração com o zoológico indiano. O caso expõe a complexidade dos programas de conservação internacionais e a importância da soberania dos países sobre sua fauna nativa, especialmente para uma espécie icônica que foi extinta na natureza e depende de esforços globais coordenados para voltar a voar livremente na Caatinga.
Conheça a história de Richart Sowa, que construiu a Joyxee Island no México com garrafas recicladas, criando uma casa autossuficiente com jardins e mangues.
Conheça a história da Mymba Kuéra, a monumental operação que salvou quase 39 mil animais durante a construção da usina de Itaipu em 1982. Veja como foi.
Localizado em Chapada dos Guimarães (MT), o primeiro santuário de elefantes da América Latina resgata animais de cativeiro. Saiba como funciona o projeto.
Dados da NASA, NOAA e Copernicus confirmam que o buraco sobre a Antártida teve tamanho e duração reduzidos, um forte sinal da recuperação do planeta. Entenda.