Em Campinas, uma reforma para ampliar a cozinha foi paralisada após a parede demolida revelar-se estrutural para a laje da casa vizinha. Veja os custos.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma reforma para ampliar a cozinha de uma casa geminada em Campinas (SP) foi interrompida às pressas após a proprietária descobrir que a parede demolida também sustentava parte da laje do imóvel vizinho. Atualizado em 22 de setembro de 2026. O incidente, que começou com um estalo no teto, resultou em uma fissura na casa ao lado e na necessidade de escoramento emergencial, transformando uma obra orçada em R$ 12 mil em um problema estrutural com custos adicionais de mais de R$ 18 mil.
A confeiteira Camila, 38, planejava ganhar mais espaço para uma bancada em sua cozinha e contratou um pedreiro que, após uma análise visual, afirmou que a demolição da parede entre a cozinha e a despensa seria simples. No entanto, nenhum profissional analisou plantas ou cargas estruturais, e o serviço começou sem um projeto técnico, segundo o Correio Braziliense. Na segunda manhã de trabalho, com cerca de dois metros de alvenaria já removidos, uma fissura apareceu na casa de seu vizinho, Roberto, 52, que imediatamente interrompeu o serviço.
A parede, que parecia ser apenas de vedação, era na verdade uma parede estrutural compartilhada. Em construções antigas, é comum que estruturas sejam interligadas, e uma parede divisória pode receber apoio de vigas ou lajes da residência ao lado, conforme apurado por O Antagonista. Um engenheiro civil chamado ao local recomendou a paralisação total da obra e a instalação de escoras metálicas, com um orçamento preliminar de R$ 18.400 para o serviço emergencial, laudo técnico e reparos.
O direito de reformar a própria casa não permite colocar em risco a segurança dos imóveis vizinhos. O Código Civil brasileiro (Lei 10.406/2002) estabelece regras claras sobre o direito de vizinhança. Os artigos 1.277 e 1.280 permitem que o vizinho prejudicado exija o fim da interferência e a reparação de danos quando há ameaça à segurança ou risco de ruína. Além disso, os artigos 186 e 927 determinam que quem causa prejuízo por negligência ou imprudência tem o dever de repará-lo.
Na prática, Roberto pôde exigir a interrupção da demolição e a implementação de medidas de segurança imediatas, como o escoramento técnico. A responsabilidade inicial recai sobre Camila, que autorizou a obra sem a devida avaliação técnica. Qualquer intervenção que altere a estrutura de um imóvel exige uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documentos que identificam o engenheiro ou arquiteto responsável, conforme a Lei 6.496/1977.
A responsabilidade inicial é do proprietário que realiza a obra. Ele pode ser obrigado a arcar com os custos de reparo e estabilização da estrutura vizinha. Posteriormente, é possível discutir a responsabilidade do profissional que executou o serviço sem a devida cautela ou do vendedor do imóvel, caso ele tenha omitido uma condição estrutural relevante.
A primeira medida é paralisar a demolição imediatamente e isolar a área de risco. Em seguida, é crucial contratar um engenheiro civil ou arquiteto para uma avaliação técnica. É importante também registrar todos os danos com fotos e vídeos e comunicar formalmente o vizinho sobre a situação e as providências que serão tomadas.
Não. Demolir qualquer parede sem a avaliação prévia de um profissional habilitado é extremamente arriscado. Apenas um engenheiro ou arquiteto pode determinar se uma parede tem função estrutural (suporta peso de lajes, vigas ou telhado) ou apenas de vedação (divisão de ambientes). A falta de um laudo técnico pode levar a multas, embargo da obra e, em casos graves, desabamentos.
O caso de Campinas, embora com personagens fictícios criados para ilustrar a situação, evidencia um risco comum em reformas residenciais. A economia com a contratação de um profissional para a avaliação estrutural pode resultar em prejuízos financeiros e legais muito maiores, além de colocar vidas em risco. Antes de qualquer demolição, é fundamental obter um laudo técnico, verificar as plantas do imóvel e, se necessário, obter as devidas licenças municipais para garantir uma obra segura e sem surpresas.
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