A Fraternidade São Pio 10º desafia o Vaticano e ordena quatro novos bispos, resultando em excomunhão automática. Entenda a crise e o risco de cisma.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Fraternidade São Pio 10º, um grupo católico ultratradicionalista, ordenou quatro novos bispos nesta quarta-feira (1º) sem a autorização do papa Leão 14, em um ato que o Vaticano considera cismático. Atualizado em 1 de julho de 2026. A cerimônia, realizada em Écône, na Suíça, ignorou um apelo direto do pontífice e resultou na excomunhão automática dos religiosos envolvidos, aprofundando uma crise histórica com a Santa Sé.
Na doutrina da Igreja Católica, ordenar um bispo sem a permissão expressa do papa é considerado um ato de insubordinação direta e uma ruptura com a autoridade de Roma, configurando um "ato cismático". A consequência imediata para tal ato é a excomunhão automática, tanto para os bispos que realizam a consagração quanto para os que são ordenados, conforme relatado pela Folha de S. Paulo e pela agência AFP.
O papa Leão 14 advertiu que, com o cisma, os sacramentos administrados pelos bispos da fraternidade, como casamentos e confissões, deixariam de ser reconhecidos pela Igreja Católica. A Fraternidade, no entanto, rejeita essa interpretação e afirma que qualquer sanção canônica seria "nula e sem efeito", segundo a revista Veja.
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio 10º (FSSPX) surgiu como uma reação às reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965), que modernizaram a Igreja. O grupo rejeita mudanças como a celebração da missa no idioma local em vez do latim e o diálogo com outras religiões.
O conflito atual não é inédito. Em 1988, o fundador Marcel Lefebvre realizou um ato semelhante ao consagrar quatro bispos sem a autorização do então papa João Paulo II, o que levou à excomunhão imediata dos envolvidos. Aquele episódio foi o ponto mais crítico da relação entre o grupo e o Vaticano.
Houve tentativas de reaproximação ao longo dos anos. Em 2009, o papa Bento 16 revogou as excomunhões de 1988 em um gesto de diálogo. Mais recentemente, o papa Francisco também fez acenos, como validar os casamentos celebrados pelo grupo e autorizar que seus padres ouvissem confissões, apesar da situação canônica irregular da fraternidade.
A principal razão é a rejeição às reformas do Concílio Vaticano II, que buscaram modernizar a Igreja. A fraternidade defende a manutenção das práticas e da liturgia tradicionais, como a missa em latim, por considerá-las a expressão mais pura da fé católica.
Não necessariamente. O histórico da própria fraternidade mostra que as excomunhões podem ser revertidas. As sanções aplicadas em 1988 foram suspensas em 2009 pelo papa Bento 16, em uma tentativa de restabelecer o diálogo, conforme noticiado por múltiplos veículos.
Ao ordenar quatro bispos sem o aval papal, a Fraternidade São Pio 10º desafiou abertamente a autoridade de Leão 14, formalizando um novo cisma e resultando na excomunhão de seus líderes. O ato aprofunda uma divisão de décadas, centrada na disputa entre tradição e modernidade dentro da Igreja Católica, e testa a capacidade do Vaticano de lidar com a dissidência interna.
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