Chile transforma sua infraestrutura de fibra óptica submarina em uma vasta rede de sensores sísmicos. Entenda como a tecnologia pode antecipar terremotos e tsunamis.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. O Chile está transformando sua infraestrutura de cabos de fibra óptica submarinos em uma vasta rede de sensores para detectar terremotos e tsunamis. A iniciativa, chamada Projeto de Observação Submarina de Terremotos (POST), utiliza o cabo Prat da empresa de telecomunicações Gtd como um sensor sísmico contínuo no fundo do mar, em uma colaboração entre o Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile e o centro de pesquisa francês Géoazur.
A técnica inovadora, conhecida como Deteção Acústica Distribuída (DAS), aproveita pequenas impurezas presentes na fibra óptica. Essas impurezas funcionam como micro-refletores que devolvem parte da luz enviada por um transmissor em terra. Quando uma onda sísmica passa e estica ou comprime o cabo, a distância entre as impurezas muda minimamente, alterando o tempo de viagem da luz refletida. Ao medir essas flutuações, os cientistas conseguem converter um único cabo em milhares de sensores sísmicos virtuais, conforme explica a Dra. Diane Rivet, pesquisadora do projeto.
A principal vantagem do projeto é a capacidade de detectar sismos muito mais perto de seus epicentros, que no Chile frequentemente ocorrem no fundo do mar. Sensores em terra só registram as ondas quando elas chegam ao continente. "Contar com sensores mais próximos à zona de contato entre as placas tectônicas nos permitirá conhecer com maior antecipação que o processo de ruptura se iniciou", afirma o Dr. Sergio Barrientos, diretor do Centro Sismológico Nacional. Esses segundos valiosos podem ser cruciais para sistemas de alerta precoce, permitindo que a população e setores produtivos tomem medidas de proteção.
A tecnologia também beneficia o alerta de tsunamis. O Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Armada (SHOA) destacou que a informação do sismo seria recebida em um tempo consideravelmente menor, permitindo uma análise mais rápida e precisa para o Sistema Nacional de Alarma de Maremotos (SNAM).
O sucesso do projeto POST depende da articulação entre o setor público, a academia e a iniciativa privada. A empresa Gtd disponibilizou seu cabo de fibra óptica submarina Prat, uma infraestrutura essencial para a pesquisa. "Estamos muito orgulhosos de que nosso Cable Submarino de Fibra Óptica Prat cresça em relevância para o desenvolvimento do Chile", comentou Fernando Gana, gerente geral da Gtd. A iniciativa posiciona o país como um laboratório natural para o desenvolvimento de novas tecnologias de monitoramento geológico.
Um dispositivo em terra envia pulsos de laser pelo cabo. Ondas sísmicas causam microdeformações na fibra, alterando a forma como a luz é refletida de volta. A análise dessas alterações permite identificar a ocorrência e a localização de um terremoto ao longo do cabo, transformando-o em um sensor distribuído.
Sim. Pesquisadores já utilizaram cabos submarinos para detectar terremotos em outras regiões. Um estudo envolvendo o Google e o Instituto de Tecnologia da Califórnia usou o cabo "Curie", que liga os EUA ao Chile, para registrar um sismo de magnitude 7,1 no México. Outra pesquisa utilizou um cabo de 5.860 km entre o Reino Unido e o Canadá para o mesmo fim.
Ao reaproveitar a vasta rede de cabos de internet submarinos, o Chile e outros centros de pesquisa globais estão abrindo uma nova fronteira na sismologia. A tecnologia oferece uma forma econômica e escalável de monitorar áreas oceânicas remotas, com o potencial de salvar vidas através de sistemas de alerta mais rápidos e eficientes para terremotos e tsunamis.
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