Uma patrulha com 15 bombardeiros e caças da Rússia e China provocou a mobilização de aeronaves do Japão, Coreia do Sul e EUA. Entenda a escalada de tensão.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 30 de junho de 2026. Caças dos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul foram acionados para interceptar e monitorar uma grande formação de aeronaves militares da Rússia e da China que sobrevoou o Mar do Japão e o Mar da China Oriental. A operação, que envolveu pelo menos 15 aeronaves, incluindo bombardeiros estratégicos com capacidade nuclear, representa uma das maiores demonstrações de força conjunta entre Moscou e Pequim na região nos últimos anos.
A manobra fez parte da 11ª Patrulha Aérea Estratégica Conjunta entre China e Rússia, um programa de cooperação militar iniciado em 2019. Segundo o Ministério da Defesa do Japão, a formação era composta por quatro bombardeiros chineses H-6K, dois bombardeiros russos Tu-95MS, dois aviões de patrulha marítima Tu-142, seis caças chineses J-16 e um caça russo Su-30SM. A missão percorreu áreas do Mar do Japão, Mar da China Oriental e Pacífico Ocidental, conforme relatado por autoridades sul-coreanas e japonesas.
O Ministério da Defesa da China afirmou que a operação integra o plano anual de treinamento e não foi direcionada contra terceiros, visando aumentar a interoperabilidade entre as forças. Imagens divulgadas pela mídia estatal chinesa mostraram um alto grau de integração, incluindo reabastecimento em voo de caças J-16 por um avião-tanque YU-20A.
A aproximação da formação levou à mobilização imediata de caças da Força Aérea de Autodefesa do Japão e da Força Aérea da Coreia do Sul. O Estado-Maior Conjunto sul-coreano informou que as aeronaves russas e chinesas ingressaram na Zona de Identificação de Defesa Aérea da Coreia (KADIZ), uma área de monitoramento que se estende além do espaço aéreo soberano. Embora não tenha havido violação territorial, a falta de comunicação prévia obrigou a uma resposta preventiva.
Fontes especializadas também confirmaram a presença de caças F-35A da Força Aérea dos Estados Unidos monitorando parte da operação, evidenciando a vigilância coordenada entre os aliados na região. O Japão classificou a patrulha como uma "grave preocupação" para sua segurança nacional.
Este evento é o mais recente em um ciclo de ações e reações militares no Leste Asiático. Em dezembro de 2025, após uma patrulha similar de bombardeiros russos Tu-95 e chineses H-6, os Estados Unidos e o Japão realizaram um exercício conjunto. A manobra envolveu dois bombardeiros americanos B-52, com capacidade nuclear, e caças japoneses F-35 e F-15 sobre o Mar do Japão. Na ocasião, o Ministério da Defesa japonês declarou que a ação reafirmava a "firme determinação de impedir qualquer tentativa unilateral de alterar o status quo pela força".
Uma Zona de Identificação de Defesa Aérea, como a KADIZ da Coreia do Sul, não é espaço aéreo soberano reconhecido pelo direito internacional. É uma área estabelecida unilateralmente por um país para ampliar o tempo de resposta diante da aproximação de aeronaves militares estrangeiras, exigindo que se identifiquem.
Segundo os ministérios da defesa de ambos os países, as patrulhas fazem parte de um plano anual de cooperação militar. O objetivo é aprofundar a parceria estratégica, aumentar a capacidade de coordenação entre suas forças e sinalizar sua disposição de atuar conjuntamente para "salvaguardar a paz e a estabilidade regional".
O Japão considera essas patrulhas uma "grave preocupação" e uma "demonstração de força" contra sua nação. Em resposta, aciona seus caças para monitoramento e realiza exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos para reforçar a dissuasão e a prontidão de suas forças.
A interceptação da massiva formação aérea russo-chinesa por forças dos EUA, Japão e Coreia do Sul sublinha a crescente volatilidade no Indo-Pacífico. A intensificação da cooperação militar entre Moscou e Pequim está sendo respondida com uma maior integração e vigilância por parte dos aliados, elevando o risco de incidentes em uma das regiões mais estratégicas do planeta.
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