A economia argentina enfrenta novos desafios com a forte redução da projeção de crescimento pelo FMI. Entenda os motivos da revisão e os impactos para o governo.
Olyvio Marques
Editor · América Latina · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou drasticamente sua previsão de crescimento para a Argentina em 2026, de 3,5% para 2,1%, aumentando a pressão sobre o governo de Javier Milei para reativar a economia. A revisão, divulgada em outubro de 2026, reflete um cenário de demanda interna fraca e condições financeiras restritivas. Atualizado em 14 de outubro de 2026.
A redução de 1,4 ponto percentual na projeção de crescimento do PIB argentino foi justificada pelo FMI por uma combinação de fatores. Segundo Petya Koeva Brooks, subdiretora do Departamento de Estudos do Fundo, a demanda doméstica está mais fraca que o esperado, as condições financeiras continuam restritivas e a economia passa por uma complexa transformação estrutural. O órgão também diminuiu a estimativa para 2027, de 4% para 3,5%.
Os dados da atividade econômica reforçam a preocupação. A economia argentina encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2026 e analistas preveem uma nova contração no terceiro, o que configuraria uma recessão técnica — dois trimestres consecutivos de queda.
Além da atividade fraca, a pressão sobre o governo vem dos preços. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostraram que a inflação mensal acelerou de 1,7% em agosto para 1,9% em setembro. No acumulado de 12 meses, a alta de preços atingiu 33,4%. Diante desse quadro, o FMI também elevou sua projeção de inflação média anual para 2026, de 30,4% para 32,5%.
O governo de Javier Milei obteve sucesso inicial ao frear uma inflação que se aproximava de 300% ao ano, mas o ajuste fiscal e monetário teve custos. A estratégia de manter o peso valorizado para conter os preços reduziu a competitividade de setores como indústria, comércio e construção, que são grandes empregadores. Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) indicam que mais de 32 mil empresas fecharam entre dezembro de 2023 e julho de 2026.
Enquanto setores ligados à exportação, como energia e agronegócio, prosperam, a economia dependente do mercado interno sofre. Esse cenário dificulta a tarefa de Milei de transformar a estabilização financeira em uma recuperação econômica sentida pela maior parte da população antes das eleições de 2027.
O FMI projeta que a economia da Argentina crescerá 2,1% em 2026, uma redução significativa em relação à estimativa anterior de 3,5%. Para 2027, a previsão foi ajustada de 4% para 3,5%.
Após uma forte desaceleração desde o início do governo Milei, a inflação mensal voltou a acelerar em setembro de 2026, atingindo 1,9%. Embora o patamar seja muito inferior aos picos de 2023, a aceleração representa um novo desafio para a política econômica.
O ministro da Economia, Luis Caputo, está em negociações com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, para avançar na terceira revisão do acordo do país. A aprovação permitiria a liberação de aproximadamente US$ 869 milhões em financiamento.
O corte na projeção do FMI expõe o principal desafio do governo Milei: conciliar o ajuste fiscal e o controle da inflação com a necessidade urgente de reativar o consumo e o investimento. A capacidade de gerar um crescimento mais disseminado será o teste decisivo para a gestão econômica antes do próximo ciclo eleitoral.
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