Operação Gemini apura suposta venda de sentenças e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso; investigação mira patrimônio milionário e movimentações financeiras suspeitas.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou uma ampla varredura em joias, obras de arte, dinheiro em espécie, imóveis e contas bancárias do desembargador afastado Dirceu dos Santos e do deputado estadual Faissal Calil (PL-MT). Ambos são alvos da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (8) para investigar um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A decisão do ministro João Otávio de Noronha, do STJ, permitiu que a PF cumprisse mandados de busca e apreensão e realizasse a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. O objetivo é reconstruir a movimentação financeira e as comunicações do grupo. A PF também foi autorizada a espelhar o conteúdo de celulares e computadores apreendidos, incluindo e-mails e arquivos em nuvem, e a requisitar dados da Receita Federal e do Banco Central sobre os alvos entre 2019 e 2025.
As investigações apontam que Dirceu dos Santos apresentou uma variação patrimonial incompatível com seus rendimentos como magistrado. Segundo apuração do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ele movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, acumulando um patrimônio superior a R$ 16 milhões. A Corregedoria identificou 92 operações imobiliárias ligadas ao desembargador. Ele já estava afastado de suas funções desde março por suspeitas de corrupção.
O deputado Faissal Calil trabalhou como assessor no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018, antes de iniciar sua carreira política. As apurações indicam uma possível permuta de um apartamento de R$ 1 milhão entre os dois. A PF suspeita que o parlamentar atuava como pessoa de confiança do magistrado, auxiliando na operacionalização de movimentações financeiras e negociações para dar aparência de legalidade às transações.
Parte das suspeitas que levaram à Operação Gemini surgiu a partir da análise do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 em Cuiabá. As mensagens recuperadas revelaram conversas sobre processos judiciais e supostas negociações de decisões favoráveis, aprofundando as apurações sobre a rede que envolveria magistrados, advogados e empresários. A PF identificou que o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 3,2 milhões.
Decisão foi tomada após análise apontar indícios de irregularidades e um possível prejuízo de R$ 129 milhões aos cofres públicos.
Além de indenização por danos morais, réu terá de divulgar a sentença em suas redes sociais como parte da pena.
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