Ex-banqueiro Daniel Vorcaro acusa a PF de 'tortura psicológica' em depoimento a André Mendonça, gerando irritação na cúpula da corporação. Entenda o caso.
Olyvio Marques
Editor · Justiça · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cúpula da Polícia Federal reagiu com forte irritação ao depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que acusou a corporação de "tortura psicológica" durante uma oitiva conduzida pelo gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sem a presença de investigadores. Atualizado em 2 de setembro de 2026.
Integrantes da PF, ouvidos reservadamente, classificaram as declarações como "fantasias" e uma manobra para contornar a investigação, aprofundando a crise entre a corporação e o gabinete do ministro, relator do caso do Banco Master.
Em depoimento a um juiz auxiliar de Mendonça, Daniel Vorcaro, preso desde março, afirmou ter sido vítima de "tortura psicológica, maus-tratos e coações veladas" enquanto esteve sob custódia da Polícia Federal. Segundo o ex-banqueiro, as intimidações tinham como objetivo impedi-lo de fechar um acordo de delação premiada que pudesse envolver membros da própria PF. Vorcaro chegou a citar nominalmente o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues.
De acordo com interlocutores, Vorcaro também declarou que havia uma "má vontade" por parte da cúpula da PF em ouvi-lo e dar seguimento à sua proposta de colaboração, que já foi rechaçada duas vezes.
O depoimento ocorreu em 27 de agosto, a pedido da defesa de Vorcaro, e contou com a presença de um representante do Ministério Público, mas sem nenhum integrante da Polícia Federal. A ausência da autoridade policial que preside o inquérito levantou suspeitas entre os investigadores sobre uma possível negociação direta de delação entre o ministro e o investigado.
Em nota oficial, o gabinete de André Mendonça confirmou que a audiência foi um "requerimento expresso da defesa", que alegou que Vorcaro "estava sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência". A nota justifica a ausência da PF com base em normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que preveem o afastamento da equipe policial para "garantia de incolumidade física e psicológica do depoente" em casos de relatos de intimidação.
A condução do depoimento por Mendonça foi duramente criticada por integrantes da cúpula da PF. Segundo delegados, a atuação do ministro "extrapolaria o papel esperado do relator", sendo vista como uma "interferência indevida na condução da investigação". Em tom de ironia, interlocutores da corporação passaram a se referir a Mendonça como o "primeiro juiz investigador". Para a PF, a alegação de Vorcaro é uma estratégia para fechar uma delação sem a participação da corporação, tratando as acusações como "fantasias".
Segundo o gabinete do ministro André Mendonça, a ausência da PF atendeu a um pedido da defesa de Vorcaro, que relatou sofrer "graves intimidações". A medida teria seguido normas do CNJ para proteger a integridade psicológica do depoente.
O ex-banqueiro alegou ter sofrido "tortura psicológica, maus-tratos e coações veladas" para ser dissuadido de firmar um acordo de delação premiada. Ele citou nominalmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A Polícia Federal reagiu com irritação, classificando as alegações como "fantasias" e uma manobra do investigado. Delegados da cúpula criticaram a atuação de Mendonça, acusando-o de interferir indevidamente na investigação.
As graves acusações de Daniel Vorcaro e a decisão do gabinete do ministro André Mendonça de ouvi-lo sem a presença da Polícia Federal criaram uma crise institucional. O episódio expõe um profundo desgaste entre os investigadores responsáveis pelo caso do Banco Master e o relator do processo no STF, adicionando mais uma camada de tensão a uma das investigações mais sensíveis em andamento no país.
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